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Nordeste RISCO DAS EÓLICAS

Incêndio em torre eólica assusta comunidade no Ceará e expõe riscos no Nordeste

Em Aracati, pás de 23 toneladas foram arremessadas após incêndio em aerogerador; casos de acidentes e até desabamentos de torres já foram registrados em vários estados, inclusive no Piauí

23/08/2025 às 10h12
Por: Douglas Ferreira
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Torre eólica em chamas no município de Aracati, no litoral do Ceará - Foto: Reprodução
Torre eólica em chamas no município de Aracati, no litoral do Ceará - Foto: Reprodução

Os parques eólicos se multiplicaram pelo Nordeste brasileiro e já fazem parte da paisagem tanto no litoral quanto no sertão. São anunciados como símbolo de modernidade e energia limpa, mas escondem riscos graves para quem vive no entorno dessas torres gigantes. O acidente desta sexta-feira (22), em Aracati, no litoral leste do Ceará, é um alerta que não pode ser ignorado.

Uma torre eólica do Parque Bons Ventos, na localidade de Cumbe, pegou fogo e as chamas provocaram o desprendimento de duas pás — cada uma com 72,4 metros de comprimento e 22,9 toneladas de peso. Os fragmentos foram arremessados para áreas próximas à comunidade. Imagens gravadas por moradores mostram o incêndio ainda com a torre em funcionamento e, em seguida, as pás caindo. Felizmente, ninguém se feriu, mas o perigo foi real.

E esse não é um caso isolado. Além de incêndios, o Nordeste já registrou desabamentos de torres eólicas inteiras em diferentes Estados. Cada torre pode ultrapassar os 100 metros de altura, e quando colapsa, o estrago é devastador. São toneladas de concreto e metal caindo em alta velocidade, sem qualquer chance de defesa para quem mora próximo.

Comunidade no Estado de Pernambuco a poucos metros das torres eólicas - Foto: Reprodução

As comunidades vizinhas a esses empreendimentos vivem um cenário de insegurança. O barulho constante já é um incômodo que afeta a saúde mental e física, mas os riscos vão muito além:

  • Incêndios de difícil controle, atingindo a parte superior dos aerogeradores;

  • Curto-circuitos e explosões, que podem gerar fragmentos incandescentes;

  • Pás arremessadas a centenas de metros, com poder de destruição sobre casas, plantações e até pessoas;

  • Desabamentos estruturais, que já ocorreram em vários pontos do Nordeste.

Barra dos Coqueiros tem 41 mil moradores e localiza-se a três quilômetros de Aracaju (SE) - Foto: Paulo Márcio/Agência Pública

 

No Piauí, tanto no litoral quanto no sertão, há parques instalados perigosamente próximos de comunidades rurais. Famílias convivem diariamente com o medo de que um acidente como o de Aracati se repita — mas, dessa vez, com vítimas.

Enquanto empresas de energia e autoridades anunciam apenas os benefícios da energia limpa, pouco se fala da vulnerabilidade das populações tradicionais e rurais que estão na linha de risco. A pressa pelo “progresso verde” não pode continuar ignorando a segurança de quem vive à sombra dessas torres.

O acidente em Aracati deixa uma pergunta urgente: quem protege as comunidades que vivem ao lado dos parques eólicos?

As comunidades sertanejas também convivem no dia a dia com as eólicas - Foto: Reprodução

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