
Os parques eólicos se multiplicaram pelo Nordeste brasileiro e já fazem parte da paisagem tanto no litoral quanto no sertão. São anunciados como símbolo de modernidade e energia limpa, mas escondem riscos graves para quem vive no entorno dessas torres gigantes. O acidente desta sexta-feira (22), em Aracati, no litoral leste do Ceará, é um alerta que não pode ser ignorado.
Uma torre eólica do Parque Bons Ventos, na localidade de Cumbe, pegou fogo e as chamas provocaram o desprendimento de duas pás — cada uma com 72,4 metros de comprimento e 22,9 toneladas de peso. Os fragmentos foram arremessados para áreas próximas à comunidade. Imagens gravadas por moradores mostram o incêndio ainda com a torre em funcionamento e, em seguida, as pás caindo. Felizmente, ninguém se feriu, mas o perigo foi real.
E esse não é um caso isolado. Além de incêndios, o Nordeste já registrou desabamentos de torres eólicas inteiras em diferentes Estados. Cada torre pode ultrapassar os 100 metros de altura, e quando colapsa, o estrago é devastador. São toneladas de concreto e metal caindo em alta velocidade, sem qualquer chance de defesa para quem mora próximo.
As comunidades vizinhas a esses empreendimentos vivem um cenário de insegurança. O barulho constante já é um incômodo que afeta a saúde mental e física, mas os riscos vão muito além:
Incêndios de difícil controle, atingindo a parte superior dos aerogeradores;
Curto-circuitos e explosões, que podem gerar fragmentos incandescentes;
Pás arremessadas a centenas de metros, com poder de destruição sobre casas, plantações e até pessoas;
Desabamentos estruturais, que já ocorreram em vários pontos do Nordeste.
No Piauí, tanto no litoral quanto no sertão, há parques instalados perigosamente próximos de comunidades rurais. Famílias convivem diariamente com o medo de que um acidente como o de Aracati se repita — mas, dessa vez, com vítimas.
Enquanto empresas de energia e autoridades anunciam apenas os benefícios da energia limpa, pouco se fala da vulnerabilidade das populações tradicionais e rurais que estão na linha de risco. A pressa pelo “progresso verde” não pode continuar ignorando a segurança de quem vive à sombra dessas torres.
O acidente em Aracati deixa uma pergunta urgente: quem protege as comunidades que vivem ao lado dos parques eólicos?
SAÚDE MENTAL Maranhão inova ao colocar a saúde mental dos pesquisadores no centro da política científica
ACIDENTE DE ÔNIBUS Jovens atletas recebem despedida emocionante em Juazeiro do Norte após tragédia em Tauá
JOVENS ATLETAS Conheça os atletas de basquete que morreram em trágico acidente no Ceará Mín. 23° Máx. 32°