
“Não sou herói. Só fiz o que devia fazer”. A fala simples é de Manoel Anésio, 60 anos, porteiro do condomínio em Ponta Negra, Natal (RN), que teve papel fundamental para impedir que a tentativa de feminicídio contra Juliana Soares terminasse em tragédia irreversível.
Na noite de 26 de julho, Manoel assistia às câmeras de segurança quando percebeu a cena brutal: Juliana, 35 anos, era espancada pelo namorado, Igor Eduardo Cabral, 29, dentro do elevador. Em menos de três minutos, ele desferiu 61 socos contra o rosto da vítima.
Assustado, mas sem hesitar, o porteiro acionou a polícia e pediu ajuda a moradores. A atitude rápida garantiu a prisão em flagrante do agressor e salvou a vida da vítima.
Juliana sobreviveu, mas carrega as marcas da violência. Nesta sexta-feira (1º), passou por uma cirurgia de sete horas para reconstrução facial, após múltiplas fraturas no rosto e no maxilar. Segundo médicos, a recuperação levará ao menos 45 dias, sendo necessária internação em UTI neste primeiro período.
“Ela está estável, mas será um processo longo e doloroso de reabilitação”, disse um dos cirurgiões responsáveis pelo procedimento.
O agressor, Igor Cabral, permanece preso e foi transferido para a Penitenciária Estadual Dinorá Simas Lima Deodato, em Ceará-Mirim, na Grande Natal. Ele responderá por tentativa de feminicídio e segue à disposição da Justiça.
Para Amanda Sadalla, mestre em Políticas Públicas por Oxford e CEO da ONG Serenas, o gesto do porteiro foi determinante:
“O que esse porteiro fez foi fundamental. Ele entendeu que não podia apenas assistir. Sabia que precisava agir. Isso salvou a vida dela”.
A especialista reforça que casos como este mostram a urgência de capacitar profissionais que atuam em condomínios, escolas e empresas para identificar situações de violência de gênero e agir corretamente.
Enquanto Juliana luta pela recuperação, o caso expõe mais uma vez a brutalidade da violência contra a mulher no Brasil. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é vítima de feminicídio a cada 7 horas no país.
Juliana Soares sobreviveu. Mas, como lembra Sadalla, nem todas têm a sorte de encontrar um “Manoel Anésio” diante da violência.
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