
Foi inaugurado nesta segunda-feira (28), no Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), o primeiro ambulatório especializado em doenças neurológicas raras voltado exclusivamente para adultos no estado do Piauí. O novo serviço representa um avanço importante para o diagnóstico precoce e o tratamento humanizado de pacientes que sofrem com condições raras e debilitantes.
O ambulatório atenderá doenças como ataxias hereditárias, miopatias raras, porfiria intermitente aguda, amiloidose e outras enfermidades de difícil diagnóstico, que afetam o sistema nervoso e comprometem diretamente a mobilidade, o equilíbrio, os músculos e o funcionamento de órgãos internos.
O neurologista e professor da UFPI, Dr. Tibério Borges, é o responsável pela coordenação do ambulatório. Segundo ele, o serviço não apenas garante atendimento qualificado à população, como também contribui para a formação de profissionais de saúde e para o desenvolvimento de pesquisas científicas:
“É um passo importante para o estado. Vamos cuidar de pacientes que antes ficavam sem diagnóstico ou tratamento. Essas doenças são complexas, precisam de acompanhamento multidisciplinar, e agora teremos uma estrutura para isso.”
Um dos casos que motivou a criação do serviço foi o de um paciente diagnosticado com porfiria intermitente aguda apenas em 2025, após anos convivendo com sintomas graves sem resposta adequada. De acordo com Dr. Tibério, muitos pacientes acabam sendo tratados erroneamente, o que agrava ainda mais o quadro clínico.
O acesso ao ambulatório será realizado por meio de encaminhamento de um neurologista geral do próprio HU. Após triagem, o paciente poderá ser direcionado para o serviço especializado, onde contará com acompanhamento clínico, fisioterapêutico e psicológico, conforme as necessidades.
Além de oferecer atendimento gratuito pelo SUS, o ambulatório também tem como objetivo criar uma base de dados sobre a prevalência dessas doenças no estado, contribuindo para a elaboração de políticas públicas mais efetivas e para a visibilidade das doenças raras, que afetam milhares de brasileiros e ainda são pouco conhecidas.
A expectativa é que o serviço se torne referência regional nos próximos anos, ajudando pacientes e familiares que, até então, não encontravam apoio especializado no sistema público de saúde.
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