
Em 2007, a Japan Airlines (JAL) enfrentava dívida bilionária e prejuízos operacionais. A resposta típica seria demitir milhares. Porém, o CEO Haruka Nishimatsu tomou uma decisão ousada: em vez de enxugar a equipe, cortou seu próprio salário em até 60% ficando abaixo até mesmo do que seus pilotos ganhavam.
Em um gesto simbólico e prático, Nishimatsu eliminou os privilégios executivos: viajava de ônibus, vestia roupas simples, comeu em refeitório comum e até tirou a porta do próprio escritório para estar sempre acessível.
Com postura de verdadeira liderança servidora - “servant leadership” - Nishimatsu foi até onde os outros não vão: ele não liderava de cima, mas caminhava entre seus funcionários. Sua presença nos hangares, nos terminais e conversando com tripulantes e limpeza da companhia trouxe empatia e confiança.
Ele entendia que gestionar uma crise exige partilhar o peso, não distribuir alívio unilateral. Sua mensagem clara ao conjunto da empresa: “Estamos juntos nessa”.
A transformação interna na JAL não foi apenas simbólica. A confiança dos colaboradores se fortaleceu, a motivação cresceu - mesmo diante de reduções drásticas de custo - e a empresa começou a se reerguer. A liderança de Nishimatsu se tornou modelo estudado globalmente.
Ele deixou um legado que ecoa até hoje: responsabilidade compartilhada, proximidade com o time e autoridade construída no exemplo.
Ele viveu a mudança que queria ver: em vez de exigir sacrifícios dos outros, sacrificou-se junto.
Demonstrou que liderança não é status, mas confiança construída diariamente.
Provou que um CEO pode ganhar menos que seus subordinados sem perder credibilidade.
Inspirou um tipo de liderança que valoriza pessoas antes do lucro.
No Brasil, onde tantas empresas ainda criam abismos entre suas lideranças e funcionários, o exemplo de Nishimatsu soa como uma aula urgente. Em tempos de crise, será que vale a pena cortar gastos apenas demitindo? Ou poderíamos cortar privilégios dos de cima e manter os empregos?
Apesar das diferenças culturais e do contexto econômico japonês, a lição é clara e universal: inspiração gera eficiência, lealdade e resiliência.
Se você acredita que líderes devem estar ao lado de suas equipes, ouvindo e partilhando o fardo, espalhe essa história. Que mais pessoas aprendam que liderar não é se posicionar acima - é caminhar junto.
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