
Um caso revoltante expõe, mais uma vez, os privilégios e a sensação de impunidade que cercam autoridades no Maranhão. O prefeito licenciado de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), que confessou ter matado a tiros o policial militar Geidson Thiago da Silva no último domingo (6), segue livre, sem prisão preventiva decretada, e ainda continuará recebendo salário líquido de R$ 13.256,08 durante seu afastamento. A justificativa? Segundo ele mesmo, a culpa do crime estaria relacionada ao suposto “estado emocional abalado” após uma cirurgia bariátrica.
De acordo com a investigação preliminar da Polícia Civil, o crime aconteceu no município vizinho de Trizidela do Vale, em um desentendimento ainda não totalmente esclarecido. Testemunhas relataram que João Vitor e Geidson se encontraram casualmente em um bar. Após uma discussão - por motivos ainda investigados - o prefeito sacou uma arma e atirou contra o policial, que morreu no local.
João Vitor não fugiu do local, foi levado à delegacia, onde confessou o crime, mas alegou estar “mentalmente desestabilizado” por complicações físicas e psicológicas decorrentes de uma cirurgia bariátrica realizada meses atrás. O advogado do prefeito alegou que ele não apresenta risco de fuga e que necessita de tratamento médico e psiquiátrico imediato.
Essa é a pergunta que ecoa entre a população. A Polícia Civil informou que o prefeito se apresentou, prestou depoimento e foi liberado porque não havia mandado de prisão em flagrante. O Ministério Público ainda analisa o caso para decidir se pedirá sua prisão preventiva. Não há até agora indícios formais de que esteja internado, e ele sequer cumpre medidas cautelares.
O argumento da defesa é que João Vitor precisa de acompanhamento psiquiátrico e que uma eventual prisão poderia agravar seu quadro. Ainda assim, não há informações de que esteja internado sob cuidados médicos - apenas licenciado do cargo.
A Câmara Municipal aprovou na quarta-feira (9) um pedido de licença médica do prefeito por 125 dias. Durante este período, ele continuará recebendo integralmente seu salário de R$ 13 mil, enquanto a vice-prefeita Maria Etelvina assume interinamente a administração da cidade. Vereadores da oposição e movimentos sociais já questionam a legalidade e a moralidade da decisão.
O assassinato do policial Geidson Thiago gerou forte comoção entre militares, familiares e a sociedade civil. “Como pode alguém confessar que matou um policial, dizer que está doente e continuar solto, recebendo salário público?”, questionou um morador de Igarapé Grande nas redes sociais. Entidades pedem que o Ministério Público e a Justiça atuem para que João Vitor responda criminalmente pelo homicídio.
O Ministério Público do Maranhão acompanha a investigação da Polícia Civil, que apura a dinâmica do crime, possíveis testemunhas e se o prefeito agiu de forma premeditada. A principal linha de apuração é que a discussão no bar teria sido motivada por desavenças pessoais. Até agora, o prefeito não apresentou exames ou laudos médicos que comprovem incapacidade mental ou transtornos psicológicos.
A vice-prefeita Maria Etelvina, agora no comando da cidade, limitou-se a afirmar que seu foco é “garantir a continuidade da gestão pública”. Já o comando da Polícia Militar declarou que espera “que a Justiça prevaleça”.
O caso, que ganha repercussão estadual, reacende o debate sobre privilégios políticos, falta de punição para crimes cometidos por autoridades e o uso de licenças médicas como escudo para evitar a prisão.
Enquanto isso, a família do policial morto aguarda por justiça.
SAÚDE MENTAL Maranhão inova ao colocar a saúde mental dos pesquisadores no centro da política científica
ACIDENTE DE ÔNIBUS Jovens atletas recebem despedida emocionante em Juazeiro do Norte após tragédia em Tauá
JOVENS ATLETAS Conheça os atletas de basquete que morreram em trágico acidente no Ceará Mín. 23° Máx. 32°