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Nordeste IMPUNIDADE POLÍTICA

Prefeito que matou PM põe culpa em bariátrica, segue solto e vai receber R$ 13 mil por mês

População questiona impunidade e privilégios após assassinato do PM Geidson Thiago por João Vitor Xavier, prefeito agora licenciado de Igarapé Grande

11/07/2025 às 15h23
Por: Douglas Ferreira
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Prefeito assassino se licenciou do cargo, mas vai responder pela morte do PM em liberdade - Foto: Reprodução
Prefeito assassino se licenciou do cargo, mas vai responder pela morte do PM em liberdade - Foto: Reprodução

Um caso revoltante expõe, mais uma vez, os privilégios e a sensação de impunidade que cercam autoridades no Maranhão. O prefeito licenciado de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), que confessou ter matado a tiros o policial militar Geidson Thiago da Silva no último domingo (6), segue livre, sem prisão preventiva decretada, e ainda continuará recebendo salário líquido de R$ 13.256,08 durante seu afastamento. A justificativa? Segundo ele mesmo, a culpa do crime estaria relacionada ao suposto “estado emocional abalado” após uma cirurgia bariátrica.

Como foi o homicídio?

De acordo com a investigação preliminar da Polícia Civil, o crime aconteceu no município vizinho de Trizidela do Vale, em um desentendimento ainda não totalmente esclarecido. Testemunhas relataram que João Vitor e Geidson se encontraram casualmente em um bar. Após uma discussão - por motivos ainda investigados - o prefeito sacou uma arma e atirou contra o policial, que morreu no local.

João Vitor não fugiu do local, foi levado à delegacia, onde confessou o crime, mas alegou estar “mentalmente desestabilizado” por complicações físicas e psicológicas decorrentes de uma cirurgia bariátrica realizada meses atrás. O advogado do prefeito alegou que ele não apresenta risco de fuga e que necessita de tratamento médico e psiquiátrico imediato.

Por que ele não foi preso?

Essa é a pergunta que ecoa entre a população. A Polícia Civil informou que o prefeito se apresentou, prestou depoimento e foi liberado porque não havia mandado de prisão em flagrante. O Ministério Público ainda analisa o caso para decidir se pedirá sua prisão preventiva. Não há até agora indícios formais de que esteja internado, e ele sequer cumpre medidas cautelares.

O argumento da defesa é que João Vitor precisa de acompanhamento psiquiátrico e que uma eventual prisão poderia agravar seu quadro. Ainda assim, não há informações de que esteja internado sob cuidados médicos - apenas licenciado do cargo.

Como ele vai receber salário?

A Câmara Municipal aprovou na quarta-feira (9) um pedido de licença médica do prefeito por 125 dias. Durante este período, ele continuará recebendo integralmente seu salário de R$ 13 mil, enquanto a vice-prefeita Maria Etelvina assume interinamente a administração da cidade. Vereadores da oposição e movimentos sociais já questionam a legalidade e a moralidade da decisão.

A indignação popular

O assassinato do policial Geidson Thiago gerou forte comoção entre militares, familiares e a sociedade civil. “Como pode alguém confessar que matou um policial, dizer que está doente e continuar solto, recebendo salário público?”, questionou um morador de Igarapé Grande nas redes sociais. Entidades pedem que o Ministério Público e a Justiça atuem para que João Vitor responda criminalmente pelo homicídio.

Investigação em andamento

O Ministério Público do Maranhão acompanha a investigação da Polícia Civil, que apura a dinâmica do crime, possíveis testemunhas e se o prefeito agiu de forma premeditada. A principal linha de apuração é que a discussão no bar teria sido motivada por desavenças pessoais. Até agora, o prefeito não apresentou exames ou laudos médicos que comprovem incapacidade mental ou transtornos psicológicos.

O que dizem as autoridades

A vice-prefeita Maria Etelvina, agora no comando da cidade, limitou-se a afirmar que seu foco é “garantir a continuidade da gestão pública”. Já o comando da Polícia Militar declarou que espera “que a Justiça prevaleça”.

O caso, que ganha repercussão estadual, reacende o debate sobre privilégios políticos, falta de punição para crimes cometidos por autoridades e o uso de licenças médicas como escudo para evitar a prisão.

Enquanto isso, a família do policial morto aguarda por justiça.

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