
O estudante Caio Burton Alencar Pereira, do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal do Piauí (UFPI), foi reconhecido nacionalmente com o 22º Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica – Edição 2024, promovido pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O anúncio foi feito diretamente pelo presidente do CNPq, Ricardo Magnus Osório Galvão, ao próprio Caio — um gesto que só aumentou a emoção e o simbolismo da conquista.
Atualmente no 7º período da graduação, Caio foi premiado na categoria Bolsista de Iniciação Tecnológica, na área de Ciências Exatas, da Terra e Engenharias, pela criação de uma tecnologia inovadora para auxiliar no diagnóstico precoce da Doença de Parkinson.
O projeto premiado usa inteligência artificial aplicada à análise de imagens faciais para detectar um sintoma inicial e muitas vezes negligenciado do Parkinson: a hipomimia, que é a redução na expressividade do rosto. Este sinal é sutil nos estágios iniciais da doença e, portanto, difícil de perceber até mesmo por profissionais da saúde. Com a análise automatizada, o aplicativo consegue identificar padrões na face de pacientes que podem indicar a presença precoce da doença, permitindo um tratamento mais rápido e eficaz.
O estudante desenvolveu um aplicativo móvel alimentado por modelos de redes neurais, que analisa fotos do paciente para buscar sinais de hipomimia. Para superar a limitação de memória e processamento dos celulares, ele implementou uma API em nuvem, que realiza as operações mais pesadas nos servidores, enquanto mantém o aplicativo acessível e funcional mesmo em dispositivos simples.
Segundo Caio, o objetivo foi construir uma solução de fácil acesso para complementar a atuação médica, oferecendo diagnósticos preliminares com mais agilidade.
Caio desenvolveu o projeto no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), com orientação do professor Rodrigo Veras e suporte do LIMCI (Laboratory of Image Processing and Computational Intelligence). Ele enfrentou desafios importantes, como a baixa disponibilidade de imagens para treinar o algoritmo e a necessidade de otimizar o desempenho para rodar em celulares com hardware modesto. A criatividade e a persistência para resolver esses problemas foram fundamentais para o sucesso.
O prêmio é um dos mais relevantes do país para jovens cientistas e confirma o impacto social e a relevância científica do trabalho realizado. Para a UFPI, o reconhecimento também reforça a excelência da pesquisa aplicada desenvolvida na instituição, que alia inovação tecnológica à melhoria da qualidade de vida da população. Segundo o professor Rodrigo Veras, trata-se de uma conquista que “honra toda a comunidade acadêmica”.
Emocionado, Caio destacou que o prêmio é motivo de “grande satisfação e motivação” para continuar desenvolvendo soluções tecnológicas com impacto social real. Segundo ele, ter o trabalho reconhecido em nível nacional só reforça sua convicção de que ciência e tecnologia podem transformar vidas.
"Esse prêmio comprova a relevância científica e o impacto social do esforço que desenvolvo junto ao meu orientador, ao LIMCI e à UFPI. Isso me incentiva a continuar criando soluções que realmente façam a diferença na vida das pessoas", declarou.
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