
A zona Norte de Teresina, mais especificamente o bairro São Joaquim, tem protagonizado uma rotina que mistura medo, silêncio e sangue. O que antes era um bairro marcado pela proximidade com o centro da capital, hoje é sinônimo de violência sistemática. Assaltos, arrastões, execuções à luz do dia e disputas entre facções criminosas se tornaram comuns, mesmo com a presença de um batalhão da Polícia Militar e uma delegacia no próprio bairro.
A mais recente vítima foi Dennis Rafael Ferreira, de 32 anos, morto a tiros em plena manhã de domingo (29), na Avenida Rui Barbosa, em frente a uma loja de roupas. As circunstâncias ainda estão sob investigação, mas a hipótese é de que ele teria tentado cometer um assalto e foi surpreendido por alguém armado - possivelmente um policial à paisana ou segurança local. O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
A pergunta que não cala: como um bairro com presença ostensiva das forças de segurança é, ao mesmo tempo, um dos mais violentos da capital? A resposta pode estar no descompasso entre a propaganda oficial e a realidade vivida nas ruas. Para os moradores, o sentimento de insegurança é crescente e a sensação é de que o crime já tomou conta de tudo.
A presença policial, antes sinal de segurança, virou mera formalidade. A ação real é ineficaz diante do avanço da criminalidade. O que falta para reverter esse quadro? Vontade política? Reforço estrutural? Investigação séria? O povo já não sabe mais. Só sente. E sente medo.
Enquanto o governo vende uma imagem de paz e progresso, bairros como o São Joaquim agonizam na invisibilidade, como se a vida de quem ali mora valesse menos. A pergunta é simples, mas urgente: até quando?
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