
Iniciada em 2005, ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Refinaria Abreu e Lima (RNest), em Ipojuca, Pernambuco, se tornou um símbolo de promessas frustradas, denúncias de corrupção, e danos ambientais que assombram as comunidades vizinhas. O projeto, que deveria ser uma parceria com a Venezuela e estava estimado inicialmente em US$ 2,4 bilhões, viu seu custo escalar vertiginosamente para US$ 20,1 bilhões, resultado de atrasos e problemas que envolvem desde a construção até questões operacionais.
A refinaria deveria contar com unidades de abatimento de emissões chamadas SNOx, projetadas para reduzir a poluição atmosférica ao abater óxidos de enxofre e nitrogênio das emissões. Contudo, mesmo após quase uma década de operação, a primeira dessas unidades ainda não foi instalada. A situação se agrava com o fato de que a RNest, que inicialmente tinha sua produção limitada a 45 mil barris/dia pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH) até que a SNOx estivesse em funcionamento, agora opera com 100 mil barris/dia sem a devida mitigação dos poluentes.
Moradores das áreas circunvizinhas relatam problemas de saúde, como náuseas, dores de cabeça, problemas respiratórios, e em alguns casos, condições mais graves como tireoidite crônica, que acreditam estar relacionadas à exposição contínua aos gases emitidos pela refinaria. A Petrobras, por sua vez, afirma que a RNest opera dentro dos parâmetros estabelecidos na legislação vigente, mas isso não ameniza as preocupações e as queixas da população local.
O modelo de automonitoramento da qualidade do ar, onde a própria Petrobras contrata uma empresa para realizar as medições e reporta os dados ao estado, é criticado por especialistas e moradores que temem pela falta de transparência e pela possível manipulação dos dados.
Além dos problemas de saúde, a poluição também afeta a agricultura local, com relatos de perdas em cultivos de caju, por exemplo. Apesar das denúncias e das ações movidas por moradores contra a Petrobras, as respostas judiciais têm sido desfavoráveis a eles, com o argumento de que não há comprovação suficiente dos danos à saúde pela poluição.
A Refinaria Abreu e Lima, rotulada pela Petrobras como "sustentável" e "moderna", na prática, ainda não corresponde ao que foi prometido, deixando uma sombra de frustração e problemas sobre as comunidades que a cercam.
INTERDIÇÃO Viaduto do Mercado do Peixe será interditado por três dias em Teresina
INTERDIÇÃO Obra de esgoto interdita trecho da Avenida Marechal Castelo Branco em Teresina
DESVIO Obra de viaduto causa congestionamento e muda trânsito no bairro Dirceu Mín. 26° Máx. 39°