
No Piauí, vivem 31.686 pessoas quilombolas, o que representa aproximadamente 0,97% da população total. O Estado também possui 14 territórios quilombolas oficialmente delimitados, que abrigam diversas comunidades com histórias e culturas únicas.
Algumas dessas comunidades incluem Lagoas, Macacos, Riacho dos Negros, Sumidouro, Tanque de Cima, Fazenda Nova, entre outras, localizadas nos municípios de São Raimundo Nonato, Fartura do Piauí, São Lourenço do Piauí e Comunidade Mimbó. O Estado do Piauí possui o terceiro maior número de quilombolas do Brasil.
Mais uma vez, nos deparamos com a dura verdade: “algo de errado não está certo” na Educação do Piauí. O discurso otimista do secretário de Educação, Washington Bandeira, e do governador Rafael Fonteles (PT), não bate com a realidade revelada pelos números oficiais do IBGE. Na prática, os dados expõem uma dura realidade enfrentada especialmente pelos quilombolas, que continuam invisibilizados pelo poder público.
O Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que os quilombolas do Piauí enfrentam uma das piores taxas de analfabetismo do país.
Na zona rural, 30% dos quilombolas são analfabetos, a segunda maior taxa do Brasil, atrás apenas de Alagoas.
Na área urbana, a taxa de analfabetismo entre quilombolas é de 19,95%, enquanto a média urbana do Piauí é de 12,19%.
A média geral de analfabetismo dos quilombolas no estado é de 28,75%, bem acima da média estadual total, que é de 17,23%.
Há também desigualdade por gênero:
Homens quilombolas na zona rural: 32,83% analfabetos
Mulheres quilombolas na zona rural: 27,01%
Em áreas urbanas, homens têm taxa de 22,58% e mulheres 17,58%
Por que, após mais de 20 anos de governos de esquerda no Piauí, ainda não houve políticas públicas eficazes para mudar esse quadro?
Qual a explicação da Secretaria de Educação?
O governador Rafael Fonteles reconhece os dados do IBGE?
E reconhecendo, o que pretende fazer?
A população exige respostas, não apenas promessas e propagandas.
A precariedade vai além da educação.
Segundo o IBGE, os quilombolas têm menos acesso ao saneamento básico que o restante da população:
Áreas urbanas: apenas 28,32% dos domicílios quilombolas têm esgotamento adequado, contra 58,12% da média urbana estadual
Zona rural: somente 15,26% dos domicílios quilombolas têm acesso ao serviço, contra 19,70% da média rural geral
E quanto a outras estruturas básicas?
As comunidades quilombolas têm escolas de qualidade?
Postos de saúde?
Água potável?
Saneamento básico?
Calçamento?
A realidade nas comunidades quilombolas do Piauí ainda é de abandono estrutural, desigualdade social e falta de prioridade política.
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