
Um caso comovente e cheio de mistérios abalou a cidade de Natal (RN): uma bebê de apenas oito meses, Yohana Maitê Filgueira Costa, morreu após consumir granola com açaí, e sua prima de segundo grau, Geisa de Cássia Tenório Silva, de 50 anos, foi internada em estado gravíssimo após consumir o mesmo alimento. A polícia agora investiga a hipótese de envenenamento.
Geisa recebeu, em sua casa no bairro Felipe Camarão (zona Oeste de Natal), um presente misterioso: um urso de pelúcia e chocolates de origem desconhecida, entregues por um motoentregador. Ela consumiu os chocolates, mas não sentiu nada de anormal.
No dia seguinte, outra entrega chegou: um pote de açaí com granola. Geisa consumiu o açaí e dividiu a granola com a pequena Yohana, filha de sua prima. Pouco tempo depois, as duas passaram mal.
A bebê foi levada às pressas para a UPA da Cidade da Esperança, mas infelizmente morreu na ambulância, durante a tentativa de transferência para um hospital. Geisa também foi levada ao hospital, medicada e liberada, parecendo estar fora de perigo.
No terceiro dia consecutivo de entregas, Geisa recebeu mais açaí. Ainda sem ligar o consumo ao mal-estar anterior, ela comeu novamente. Cerca de 15 minutos depois, começou a passar muito mal: tremores, suor excessivo, confusão mental, espasmos e espuma na boca. Foi levada ao Hospital Regional de Macaíba e está internada na UTI, intubada e em estado grave.
Foi a equipe médica que atendeu Geisa quem alertou a família: os sintomas apresentados - convulsões, sudorese, espasmos e confusão neurológica - indicavam possibilidade de envenenamento. Diante disso, o filho de Geisa procurou a Polícia Civil.
Investigação policial
A Polícia Civil abriu inquérito por meio da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa. Até agora:
Amostras do açaí, granola, cartas e embalagens foram recolhidas pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP);
Digitais foram colhidas nos objetos entregues;
Testemunhas da família foram ouvidas;
A análise toxicológica dos alimentos está em andamento, mas os laudos ainda não ficaram prontos.
Quem enviou os alimentos?
Apesar de as entregas terem sido feitas por motoentregadores diferentes, a polícia ainda não conseguiu identificar quem contratou o serviço nem a origem dos produtos. A encomenda foi enviada três dias seguidos, o que reforça a hipótese de premeditação.
Qual foi a substância usada?
O laudo toxicológico é a peça-chave para confirmar ou descartar o envenenamento. Ainda não se sabe qual (ou se houve) substância tóxica no alimento.
Motivação
Até o momento, não há indícios claros de quem teria interesse em prejudicar Geisa ou a família. Não se descarta nenhuma linha de investigação, incluindo vingança pessoal ou crime passional.
Geisa continua internada na UTI, intubada e em estado grave. Segundo familiares, ela está em coma induzido, e os médicos acompanham sua evolução com cautela.
O caso envolve uma sequência incomum de entregas misteriosas, sintomas graves, uma morte precoce e indícios preocupantes de crime premeditado. A investigação ainda está em andamento e depende do resultado dos laudos periciais para esclarecer se houve de fato envenenamento - e, principalmente, quem está por trás da tragédia.
Enquanto isso, uma família tenta lidar com a dor da perda irreparável de um bebê e a luta pela vida de uma mulher ainda sem respostas.
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