
Uma bebê de oito meses de idade morreu e uma mulher de 50 anos está internada em estado grave após consumirem alimentos suspeitos de estarem envenenados, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. A Polícia Civil trata o caso como suspeita de envenenamento e investiga a origem das entregas que chegaram à casa da família entre os dias 13 e 15 de abril.
A mulher, Geisa de Cássia Tenório Silva, está internada na UTI do Hospital Regional de Macaíba, na Grande Natal, intubada e em tratamento de hemodiálise. Segundo familiares, ela apresenta resposta a estímulos e o quadro é considerado estável, embora haja preocupação com o funcionamento dos rins, que podem ter sido afetados por possível substância tóxica.
A criança, identificada como Yohana Maitê Filgueira Costa, prima de segundo grau de Geisa, morreu no dia 14 de abril, após consumir granola que acompanhava um açaí entregue na casa da família. A mãe da bebê, Danielle Priscila Silva, relatou que a filha faleceu dentro da ambulância, ainda na UPA Cidade da Esperança, antes de ser transferida a um hospital.
A sequência de entregas recebidas pela família levanta suspeitas. Segundo o filho de Geisa, Yago Smith, foram três dias consecutivos com encomendas anônimas deixadas por motoentregadores:
13 de abril: Chegada de um urso de pelúcia e chocolates. Geisa consumiu os doces, mas não apresentou sintomas.
14 de abril: Recebimento de açaí com granola. Geisa e a bebê Yohana consumiram o alimento e passaram mal em seguida. A bebê morreu e Geisa foi medicada e liberada.
15 de abril: Nova entrega de açaí. Geisa ingeriu o alimento, teve mal súbito cerca de 15 minutos depois e foi levada novamente à UPA, onde permaneceu internada em estado grave.
Os sintomas apresentados por Geisa - tremores, sudorese excessiva, perda de força e espasmos - levantaram a suspeita de envenenamento entre os profissionais de saúde, que orientaram a família a procurar a polícia. A Polícia Civil recolheu amostras dos alimentos, embalagens, bilhetes e documentos enviados com as entregas para análise toxicológica. O urso de pelúcia, no entanto, não foi apreendido.
A investigação agora busca identificar o motoentregador responsável pelas entregas, rastrear a origem dos pedidos e verificar se há vínculo entre os remetentes e as vítimas. Segundo a Polícia Civil, os laudos periciais ainda estão em andamento, e qualquer afirmação sobre a natureza exata da substância ou confirmação do envenenamento só poderá ser feita após conclusão dos exames.
Enquanto isso, a família aguarda respostas. “Ela [Geisa] tentou falar, respondeu com os olhos, se emocionou com a nossa presença. Mas ainda é grave”, disse a sobrinha, Jeannielly Edna Gomes, sobre o estado de saúde da mulher. O caso causa comoção no bairro Felipe Camarão, na Zona Oeste da capital potiguar, onde moram as vítimas.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte afirmou que segue ouvindo testemunhas, coletando imagens de câmeras de segurança da região e ampliando diligências para esclarecer o caso.
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