
O que já era temido, infelizmente, se confirmou: Evelyn Fernanda Rocha Silva, de apenas 13 anos, não resistiu ao envenenamento causado por um ovo de Páscoa contaminado e faleceu nesta segunda-feira, 22 de abril, no Hospital Municipal de Imperatriz (MA). A adolescente se tornou a segunda vítima fatal, apenas cinco dias após a morte de seu irmão, Luís Fernando, de 7 anos, vítima do mesmo crime.
A causa da morte foi um choque vascular com falência múltipla de órgãos, segundo informou o hospital. O quadro clínico de Evelyn deteriorou-se de forma rápida e irreversível, sem resposta ao tratamento intensivo. A mãe das crianças, Mirian Lira, permanece internada, agora fora da UTI, e ainda sob acompanhamento médico. Ela passou mal novamente ao ser informada da morte da filha.
A principal suspeita, Jordélia Pereira Barbosa, ex-nanorada do atual companheiro de Mirian, está presa preventivamente desde o último domingo (20) e responde agora por dois homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio.
De acordo com a investigação da Polícia Civil do Maranhão, Jordélia premeditou o crime, viajou 384 km até Imperatriz, se disfarçou com peruca, usou identidade falsa e entregou o ovo de Páscoa contaminado com veneno por meio de um motoboy. O presente trazia um bilhete: “Com amor, para Mirian Lira. Feliz Páscoa”.
Os indícios reunidos incluem:
Vídeos de câmeras de segurança mostrando Jordélia disfarçada na loja;
Comprovantes de passagem de ônibus;
Bilhetes falsos;
Resíduos de chocolate em bolsas térmicas apreendidas;
Relatos de testemunhas e ligação anônima para Mirian confirmando o recebimento do ovo.
Caso seja indiciada e condenada, Jordélia poderá responder por:
Duplo homicídio qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas), com pena de 12 a 30 anos de prisão por cada morte;
Tentativa de homicídio qualificado, com pena que pode variar de 12 a 20 anos.
Somadas, as penas podem ultrapassar 70 anos de prisão, dependendo do entendimento do Ministério Público e da Justiça sobre os agravantes e qualificadoras envolvidas.
Internada desde o dia 17, Mirian enfrenta agora a maior dor possível: a perda de seus dois filhos. Ela teve uma crise emocional aguda ao receber a notícia da morte de Evelyn, após já ter passado dias entubada por conta da intoxicação. O boletim médico mais recente aponta quadro estável, com previsão de alta nas próximas 72 horas.
O laudo final da perícia nos ovos de Páscoa deve sair em até 10 dias. Mas o conjunto de provas já levanta um cenário jurídico extremamente grave. O caso deve ganhar novos contornos com a possível denúncia formal à Justiça ainda nesta semana. A cidade de Imperatriz está em luto, e o país acompanha estarrecido o desenrolar de um crime que une frieza, premeditação e crueldade em um dos momentos mais simbólicos do calendário: a Páscoa.
A pergunta agora é: como a justiça dará conta de uma dor que jamais será reparada?
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