
Em meio à dor devastadora de uma tragédia familiar, uma notícia acende uma centelha de esperança: Mirian Lira, de 32 anos, mãe das duas crianças vítimas de um envenenamento cruel, foi extubada e já consegue se comunicar com os familiares. Ela estava internada em estado grave desde a última quinta-feira (17), após consumir um ovo de Páscoa que, segundo a polícia, continha veneno.
Mirian deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Imperatriz, no Sudoeste do Maranhão, na manhã desta segunda-feira (21), e agora se recupera na enfermaria. O quadro clínico é considerado estável, e embora a paciente ainda apresente limitações motoras, os médicos classificam a evolução como positiva. Ela está fora de perigo imediato, mas seguirá sob observação constante.
A melhora física, no entanto, veio acompanhada da dor emocional mais profunda que uma mãe pode enfrentar. Ao recuperar a consciência, Mirian foi informada da morte do filho mais novo, Luís Fernando, de apenas 7 anos, que não resistiu ao veneno. Também foi comunicada do estado de saúde da filha mais velha, Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, que segue intubada e em estado crítico na UTI II do mesmo hospital.
Segundo relatos da família, Mirian passou mal ao receber a notícia da morte do filho, e precisou ser amparada por psicólogos do hospital. O luto, somado à preocupação com a filha, compõe um cenário de sofrimento profundo. O suporte psicológico será contínuo durante sua recuperação.
Enquanto a mãe respira fora das máquinas, a filha trava uma batalha silenciosa e delicada contra o envenenamento. O último boletim médico, divulgado na manhã desta segunda, aponta piora clínica, neurológica e hemodinâmica significativa nas últimas 24 horas. Evelyn permanece com pressão arterial muito baixa, mesmo com o uso de medicações em doses máximas para tentar estabilizar o quadro.
A adolescente segue intubada, com acompanhamento ininterrupto da equipe médica. A situação é considerada gravíssima, e os médicos evitam fazer qualquer previsão neste momento.
A responsável pelo atentado, segundo a Polícia Civil, é uma mulher que teria envenenado o ovo de Páscoa entregue às crianças e à mãe. A suspeita já está presa preventivamente, enquanto as investigações continuam para apurar os detalhes e a motivação do crime. A suspeita é de ciúmes e vingança, uma vez que Jordélia Pereira Barbosa, de 35 anos, teria sido namorada do atual namorado de Mirian Lira.
O caso chocou o Maranhão e o país pela crueldade e pelo uso de um símbolo associado ao afeto e à infância — o ovo de Páscoa — como instrumento de morte. O Ministério Público acompanha de perto as investigações e promete rigor na responsabilização da autora.
Embora ainda abalada e fisicamente fragilizada, Mirian representa a força que resiste. Seu estado de saúde inspira cautela, mas também esperança. Ainda não há previsão para alta médica, mas os médicos destacam a resposta positiva ao tratamento e a capacidade de comunicação retomada como sinais encorajadores.
A família, agora, alterna o luto pela perda de Luís Fernando, a ansiedade pela vida de Evelyn e o esforço diário para reconstruir emocionalmente o que foi destruído por um gesto de crueldade calculada.
Mirian sobreviveu. Agora, o desafio é seguir — por ela, por Evelyn e pela memória de Luís Fernando.
SAÚDE MENTAL Maranhão inova ao colocar a saúde mental dos pesquisadores no centro da política científica
ACIDENTE DE ÔNIBUS Jovens atletas recebem despedida emocionante em Juazeiro do Norte após tragédia em Tauá
JOVENS ATLETAS Conheça os atletas de basquete que morreram em trágico acidente no Ceará Mín. 23° Máx. 32°