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Foi-se o tempo: o MBA de Harvard perdeu o brilho?

O mito do diploma dourado está ruindo

07/03/2025 às 09h12
Por: Douglas Ferreira
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Diploma dourado como o de Havard já não assegura do portador o emprego dos sonhos - Foto: Reprodução
Diploma dourado como o de Havard já não assegura do portador o emprego dos sonhos - Foto: Reprodução

Já foi a época em que ter um diploma de uma grande universidade garantia um emprego dos sonhos. Antigamente, bastava você terminar um MBA numa instituição renomada para sair contratado por uma multinacional com um salário impressionante. Mas e agora? O que mudou? Por que até quem se forma em Harvard está enfrentando dificuldades para entrar no mercado de trabalho? O problema está na qualidade do ensino? No comportamento das empresas? Ou tudo isso é um reflexo do avanço tecnológico e da inteligência artificial?

Os números falam por si: em 2022, apenas 10% dos graduados de Harvard ainda estavam em busca de emprego três meses após a formatura. Hoje, esse número saltou para 23%. Isso significa que quase um quarto dos formandos de um dos MBAs mais prestigiados do mundo não consegue emprego logo de cara. Se nem eles estão seguros, o que dizer do restante dos profissionais?

O que está acontecendo?

Para começar, o mercado mudou. As empresas estão mais exigentes e procuram habilidades específicas, muitas vezes priorizando conhecimento prático em detrimento da formação acadêmica tradicional. Softwares de inteligência artificial já fazem análises financeiras e relatórios empresariais com uma velocidade que nenhum humano consegue competir.

O próprio formato de trabalho também mudou. O home office se tornou comum, freelancers estão ganhando espaço e a famosa "gig economy" (modelo baseado em trabalhos temporários e sob demanda) está crescendo. Em outras palavras, as empresas querem menos hierarquia e mais flexibilidade, o que significa menos espaço para cargos executivos e gerenciais - justamente as posições almejadas por quem faz um MBA.

Outro ponto importante é que, hoje, um diploma não impressiona tanto quanto antes. Muitas companhias estão valorizando certificações específicas e cursos técnicos que são bem mais acessíveis e rápidos do que um MBA caríssimo. Afinal, por que investir mais de 115 mil dólares por ano em Harvard quando você pode aprender as mesmas habilidades por um preço muito menor em plataformas como Coursera ou LinkedIn Learning?

Networking vale mais que diploma?

Outro grande desafio é que a maioria das vagas hoje não estão sendo divulgadas publicamente. Cerca de 80% das oportunidades são preenchidas por meio de indicação e networking. Se você não está bem conectado, pode ser que não fique sabendo das melhores chances de trabalho. Isso coloca os formandos em uma posição complicada: de que adianta um diploma de Harvard se você não tem as conexões certas para te ajudar a conseguir um emprego?

O que fazer para se destacar?

Diante desse cenário, quem quer crescer profissionalmente precisa se adaptar. Algumas estratégias são essenciais:

  • Desenvolva suas soft skills: Empresas buscam pessoas com boa comunicação, inteligência emocional e capacidade de resolver problemas. Essas habilidades têm sido mais valorizadas do que apenas o conhecimento técnico.

  • Aprenda sobre inteligência artificial: Esse tema está revolucionando o mercado de trabalho. Saber como funciona e como aplicá-lo na sua área pode fazer diferença na hora de conseguir um emprego.

  • Invista em networking: Participe de eventos, interaja no LinkedIn e mantenha contato com ex-colegas e professores. Conexões profissionais podem abrir mais portas do que um diploma.

  • Seja flexível com suas expectativas: Muitas vezes, vale mais a pena aceitar uma boa oportunidade fora do seu plano inicial do que ficar esperando pela vaga "perfeita".

Conclusão

O mercado de trabalho mudou, e quem não acompanhar essa evolução pode ficar para trás - mesmo que tenha um diploma de Harvard. Hoje, não basta ter um MBA de renome; é preciso se adaptar à nova realidade, desenvolver habilidades práticas e, principalmente, construir boas conexões profissionais. O diploma ainda importa? Claro que sim. Mas sozinho, ele não é mais suficiente. O futuro do trabalho está cada vez mais dinâmico, e só quem souber jogar esse novo jogo vai conseguir se destacar.

 

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