
A M. Dias Branco, gigante do setor de massas e biscoitos, registrou um lucro líquido de R$ 646 milhões em 2024, uma queda de 27% em relação ao ano anterior, quando obteve R$ 889 milhões. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (21), representa o pior desempenho da empresa desde 2022, período ainda afetado pela pandemia, quando o lucro foi de R$ 481,8 milhões. A retração já era esperada, conforme apontado no balanço financeiro do terceiro trimestre de 2023, que indicava uma redução de quase 52% no lucro líquido daquele período.
Dois fatores principais foram apontados como responsáveis pelo encolhimento dos ganhos: a implementação do SAP, um novo sistema de gestão, que impactou a produção no início de 2024, e o aumento dos preços no terceiro trimestre, que não foi acompanhado pelos concorrentes, levando a uma retração no volume de vendas. Segundo Fábio Cefaly, diretor de Novos Negócios e Relações com Investidores da empresa, a necessidade de interromper as operações temporariamente para a mudança do sistema prejudicou o faturamento em janeiro, afetando o desempenho anual.
Além disso, o aumento no preço do trigo entre julho e setembro foi repassado aos consumidores pela M. Dias Branco, mas as demais empresas do setor optaram por não seguir a mesma estratégia, resultando em perda de participação no mercado. Apesar disso, no quarto trimestre, a companhia conseguiu recuperar parte dos volumes vendidos, conforme os concorrentes ajustaram seus preços. A receita líquida da empresa em 2024 foi de R$ 9,7 bilhões, uma queda de 11%, enquanto o volume de vendas caiu 2% e o Ebitda (lucro bruto) reduziu 16%, chegando a R$ 1,198 bilhão.
Para enfrentar esse cenário desafiador, a empresa adotou medidas de reestruturação, incluindo a demissão de cerca de 1.350 trabalhadores, sendo 850 cortes realizados em 2024 e outros 500 no início de 2025. Além disso, a fábrica de Lençóis Paulista (SP) teve sua produção temporariamente interrompida para reduzir custos fixos, e ajustes operacionais foram feitos na unidade da Piraquê, no Rio de Janeiro. Segundo Cefaly, essas ações visam recuperar a rentabilidade da empresa e fortalecer sua posição no mercado.
Apesar do desempenho abaixo do recorde registrado em 2023, a M. Dias Branco encerrou o ano com alavancagem zerada, mantendo um saldo de R$ 2 bilhões em caixa. Cefaly destacou que as despesas foram controladas e a empresa está financeiramente saudável, com capacidade de quitar todas as suas dívidas. Para 2025, a companhia entra com uma perspectiva positiva, mesmo diante dos desafios macroeconômicos. “O trabalho está sendo feito, e já começamos a ver bons resultados”, concluiu.
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