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Aeris, única fabricante de pás eólicas do Brasil, enfrenta crise e demite 700 funcionários

Redução da demanda, perda de contratos e alta do dólar impactam a sustentabilidade financeira da empresa cearense

19/02/2025 às 19h31 Atualizada em 20/02/2025 às 09h13
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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A Aeris, única fabricante brasileira de pás eólicas em operação, enfrenta uma grave crise financeira devido à queda na demanda por novos parques de energia eólica. Na última semana, a empresa demitiu 700 funcionários de sua fábrica no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, ampliando a onda de cortes que atinge o setor.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará (Sindimetal-CE), a Aeris já demitiu mais de 5 mil trabalhadores ao longo da crise. Em maio de 2024, a perda de um contrato com a europeia Siemens Gamesa levou ao desligamento de 1.500 funcionários. A companhia justifica os cortes como uma necessidade para ajustar sua infraestrutura à nova realidade do mercado, mas afirma que acredita em um futuro promissor com os investimentos previstos em energia renovável e hidrogênio verde.

Diante do cenário desafiador, a Aeris convocou assembleia com investidores para prorrogar o pagamento de juros remuneratórios por mais 30 dias. A administração também busca renegociar prazos das debêntures e juros, enquanto tenta melhorar sua estrutura de capital junto a credores. A empresa fechou o terceiro trimestre de 2024 com prejuízo de R$ 56,7 milhões, registrando queda de 13% na receita, o menor valor desde 2022.

De acordo com Jaque Paes, professor do MBA de ESG e Sustentabilidade da FGV, a Aeris sofre os impactos da falta de diversificação de clientes e da forte concorrência internacional. "O rompimento de contratos de longo prazo afeta o fluxo de caixa e compromete a sustentabilidade financeira da empresa", explica. Ele também aponta a alta do dólar como um fator que torna a produção nacional menos competitiva frente a fabricantes estrangeiros.

Especialistas acreditam que a recuperação da empresa depende de novas políticas para proteger a indústria nacional. Jurandir Picanço, consultor da Fiec, destaca que a energia eólica perdeu espaço para a solar fotovoltaica, que teve forte redução de custos. No entanto, Bernardo Viana, diretor do Sindienergia, aponta que a regulamentação da energia eólica offshore pode gerar novas oportunidades para o setor nos próximos anos, embora no curto prazo a situação permaneça delicada.

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