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Nordeste PLANEJOU O CRIME

Pastor ajudou a arquitetar plano para executar prefeito de João Dias, no RN

Investigação revela que o duplo homicídio foi planejado durante um culto religioso, envolvendo lideranças políticas e religiosas locais; ex-prefeita e vereadora estão foragidas

29/12/2024 às 10h09 Atualizada em 29/12/2024 às 10h36
Por: Douglas Ferreira
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As irmãs Damária e Leidiane Jácome apontadas como mandantes no assassinato de prefeito e pai - Foto: Reprodução
As irmãs Damária e Leidiane Jácome apontadas como mandantes no assassinato de prefeito e pai - Foto: Reprodução

A cada etapa da investigação sobre o assassinato brutal do prefeito de João Dias, Marcelo Oliveira, e de seu pai, Sani Oliveira, novos detalhes chocam a população. A confirmação da participação da ex-vice-prefeita Damária Jácome e da irmã dela como mandantes abalou a cidade. Agora, um jovem pastor também é apontado como mentor intelectual do crime.

O envolvimento do pastor

Um pastor de 27 anos, cujo nome não foi divulgado, foi identificado pela Polícia Civil como um dos mandantes do crime. Ele atuava em uma igreja evangélica na região e, segundo o delegado Alex Wagner, teria auxiliado na logística do assassinato. A igreja chegou a ser cogitada como local para o ataque, devido à vulnerabilidade do prefeito durante cultos religiosos.

O pastor está entre os seis presos na última sexta-feira (27) em operação nas cidades de João Dias, Patu e Marcelino Vieira. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte, o inquérito apontou oito pessoas como executores e cinco como mentores intelectuais, além de 10 envolvidos em formação de milícia.

Prisões e foragidos

Entre os mandantes, estão a ex-prefeita Damária Jácome e sua irmã, Leidiane Jácome, vereadora. Ambas tiveram mandados de prisão expedidos, mas não foram localizadas e são consideradas foragidas. Em nota, a defesa delas alegou inocência e justificou a ausência como precaução diante do clima de insegurança na cidade.

Dinâmica do crime

Marcelo Oliveira e Sani Oliveira foram mortos em 27 de agosto, durante a campanha eleitoral. Eles visitavam casas de apoiadores quando criminosos chegaram em dois veículos e abriram fogo. O pai morreu no local e Marcelo chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. O prefeito foi atingido por 11 disparos.

Repercussão política

Após o crime, Jessé Oliveira, irmão de Marcelo e então presidente da Câmara Municipal, assumiu a prefeitura. Ele abriu mão da candidatura à reeleição para vereador. A viúva do prefeito, Fatinha de Marcelo, foi escolhida como candidata pelo partido União Brasil e eleita para assumir o cargo em 2025.

Histórico político das vítimas

Marcelo Oliveira, de 38 anos, tinha trajetória política marcada por eleições como vereador e prefeito. Ele renunciou ao cargo em 2021, alegando ameaças da ex-vice-prefeita Damária Jácome, mas retornou em 2022 após decisão judicial. Seu pai, Sani Oliveira, também foi vereador e servia como inspiração política para Marcelo.

A cidade de João Dias

Com pouco mais de 2 mil habitantes, João Dias é o terceiro menor município do Rio Grande do Norte. A cidade, localizada na divisa com a Paraíba, possui baixo índice de ocupação e enfrenta desafios econômicos. O caso abalou ainda mais a estabilidade local, expondo disputas políticas violentas e redes de influência.

 

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