
A Polícia Federal iniciou, nesta terça-feira (24), uma investigação para esclarecer as causas e identificar os responsáveis pelo colapso da ponte que conectava os Estados de Tocantins e Maranhão. O desabamento, ocorrido no último domingo (22), deixou quatro mortos confirmados e 13 pessoas desaparecidas.
Primeiros passos das investigações
As investigações preliminares serão conduzidas pelas superintendências da Polícia Federal em Maranhão e Tocantins, que enviaram equipes para levantar evidências no local da tragédia. Para reforçar os trabalhos, cinco peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC) foram deslocados para a delegacia da PF em Imperatriz (MA). O grupo inclui dois engenheiros civis, dois especialistas em local de crime e um analista ambiental.
Cenário de devastação
O colapso da estrutura provocou a queda de diversos veículos no Rio Tocantins, incluindo caminhões tanques carregados com ácido sulfúrico e defensivos agrícolas, levantando preocupações sobre a contaminação ambiental. A ponte desabada fazia parte da BR 226, uma importante via de conexão entre as regiões.
Após dois dias com o fornecimento de água suspenso, uma vez que a captação é feita diretamente no leito do Rio Tocantins, o fornecimento voltou a ser regularizado. Isso, após exames realizados pela Caema, a Companhia de Águas do Maranhão.
Problemas estruturais conhecidos
O colapso da ponte já é considerado uma tragédia anunciada. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) revelou, em nota oficial, que a ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira já havia sido classificada com problemas estruturais de categoria 2, exigindo obras urgentes de reabilitação. Em maio deste ano, foi lançado um edital de R$ 13 milhões para contratação de serviços especializados. No entanto, a licitação foi considerada "fracassada" (quando não aparece empresa interessada na obra), e nenhuma intervenção foi realizada.
Falta de recursos ou gestão ineficiente?
A investigação apurará se o DNIT deixou de intervir por falta de recursos financeiros ou falhas de gestão. O inquérito também buscará determinar se houve negligência por parte dos responsáveis pela manutenção e fiscalização da estrutura.
Desdobramentos e responsabilizações
Com base nos laudos periciais, os envolvidos poderão ser responsabilizados por crimes como homicídio culposo, lesão corporal, danos ambientais e improbidade administrativa. As penalidades podem variar de multas e sanções administrativas até prisões, dependendo das conclusões alcançadas pelo inquérito.
Lista de Vítimas
O Corpo de Bombeiros localizou quatro corpos no Rio Tocantins, entre eles dois adultos e uma criança. As vítimas confirmadas são:
Lorena Rodrigues Ribeiro, 25 anos;
Lorrane Cidronio de Jesus, 11 anos;
Kecio Francisco Santos Lopes, 34 anos, natural de Demerval Lobão/PI;
Andreia Maria de Sousa.
Outras 13 pessoas permanecem desaparecidas, entre elas crianças e idosos. A lista inclui:
Beroaldo dos Santos;
Anisio Padilha Soares (43 anos);
Silvana dos Santos Rocha Soares (53 anos);
Alessandra do Socorro Ribeiro (50 anos);
Salmon Alves Santos (65 anos);
Felipe Giuvannuci Ribeiro (10 anos);
Cássia de Sousa Tavares (34 anos);
Cecília Tavares Rodrigues (3 anos);
Marçon Gley Ferreira;
Osmarina da Silva Carvalho (48 anos);
Gessimar Ferreira (38 anos);
Ailson Gomes Carneiro (57 anos);
Elisangela Santos das Chagas (50 anos).
Um homem, Jairo Silva Rodrigues, 36 anos, foi resgatado com vida no dia do acidente.
Buscas e esperança
Equipes de resgate seguem mobilizadas na busca por sobreviventes, utilizando embarcações e mergulhadores especializados. Nesta quarta-feira, 24, equipes da Marinha se integraram ao trabalho de busca pelos desaparecidos. Enquanto isso, as famílias das vítimas aguardam respostas e cobram justiça diante de mais uma tragédia que poderia ter sido evitada.
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