
Hoje, o Rio Parnaíba é visto como um recurso hídrico subutilizado, mas nem sempre foi assim. Em tempos passados, ele era a principal hidrovia da região, vital para o comércio e o transporte de passageiros entre cidades como Parnaíba, Teresina e Floriano. A Barca Saloia, uma embarcação emblemática desse período, desempenhou um papel crucial no transporte fluvial de mercadorias e pessoas no Médio Parnaíba.
A Barca Saloia pertencia a Alexandre Pires, comerciante e armador fluvial radicado no município de Balsas no Estado do Maranhão, e a Jacques Pinheiro, do Pará. Construída com casco de madeira e cobertura de palha, a Saloia transportava diversos tipos de mercadorias, especialmente sal, entre Teresina e Floriano. Ela era um exemplo das embarcações rústicas que dominavam a Bacia do Parnaíba, numa época em que o rio era uma via essencial para o desenvolvimento econômico e social da região.
Um feito notável marcou a história da Saloia em 1949. A embarcação se tornou a primeira de seu tipo a ganhar mobilidade própria quando um motor a diesel foi instalado em sua estrutura no porto de Luís Correia, na foz do Rio Igaraçu. A partir daí, a Saloia navegou mais de 800 km rio acima até Sambaíba, tornando-se um marco da engenharia improvisada e do 'jeitinho brasileiro'.
Essa travessia inédita não só demonstrou a viabilidade do transporte motorizado no Rio Parnaíba, mas também consolidou a Saloia como uma lenda da navegação fluvial no Brasil.
A história da Barca Saloia é um testemunho da importância histórica do Rio Parnaíba, que já foi a espinha dorsal do comércio e da mobilidade na região. Embarcações como essa mostram como o rio, hoje muitas vezes esquecido, já foi um motor de progresso e desenvolvimento para o Piauí e o Maranhão.
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