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Tragédia em Água Branca: Vizinho revela que as crianças morreram pedindo ajuda

"A gente só ouvia os gritos deles lá dentro, 'me ajuda, me ajuda', e nós dizendo 'meus filhos, se acalmem, que nós vamos encontrar um jeito'", relatou vizinha Rosa, ainda abalada.

05/08/2024 às 14h47
Por: Douglas Ferreira
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Sofia e Samuel eram muito unidos - Foto: Reprodução
Sofia e Samuel eram muito unidos - Foto: Reprodução

O município de Água Branca, a cerca de 100 km ao sul de Teresina, conseguiu voltar à normalidade após a tragédia devastadora que ecoou por todo o Piauí. Duas crianças, Samuel, de 5 anos, e Sofia, de 7, perderam a vida em um incêndio que destruiu a pequena casa onde moravam. Os irmãos morreram queimados enquanto estavam trancados em casa, gritando por socorro, mas os esforços desesperados dos vizinhos para resgatá-los foram frustrados pelas chamas e o calor intensos.

O incêndio começou enquanto a mãe das crianças, Luzinete Ricardo da Silva, estava fora, na casa do pai, a poucos metros de distância, preparando o jantar para ele. Menos de uma hora após sua saída dela de casa, o fogo tomou conta da residência de um só cômodo, onde as crianças estavam sozinhas.

Os últimos momentos: Gritos que ecoam na memória

Francisco Sousa e Rosa Rodrigues, que moram a cerca de 50 metros da casa incendiada, foram os primeiros a ouvir os gritos desesperados de Samuel e Sofia. Eles correram para ajudar, mas ao chegarem, encontraram o portão da casa trancado com corrente e cadeado, enquanto as chamas já dominavam o interior.

"A gente só ouvia os gritos deles lá dentro, 'me ajuda, me ajuda', e nós dizendo 'meus filhos, se acalmem, que nós vamos encontrar um jeito'", relatou Rosa, ainda abalada.

Outros vizinhos também tentaram socorrer as crianças, mas a situação se tornou ainda mais desesperadora quando o telhado da casa desabou, silenciando os gritos que até então ainda eram ouvidos.

"De repente, explodiu. Saiu aquele fogo para cima e começou a cair as telhas, os paus queimados... e a gente não ouviu mais os gritos deles. Gritaram até a última hora", lamentou Rosa.

Investigação e comunidade em luto

As autoridades locais foram acionadas rapidamente, mas quando a Polícia Militar chegou ao local, o fogo já havia consumido quase toda a casa. Com a ajuda de um carro-pipa da Prefeitura de Água Branca, os bombeiros conseguiram controlar as chamas, mas os corpos das crianças foram encontrados carbonizados pelos socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Os corpos foram encaminhados ao Instituto de Medicina Legal (IML) de Teresina para exames cadavéricos e confirmação de identidade, antes de serem liberados para o sepultamento. A causa do incêndio ainda não foi confirmada, mas há suspeitas de que um vazamento de gás possa ter provocado as chamas. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil do Piauí (PCPI) estão conduzindo uma investigação para determinar as circunstâncias exatas da tragédia.

Luzinete, mãe das crianças, foi socorrida em estado de choque e levada ao hospital de Água Branca. A comunidade Gogó da Ema, onde a família vivia há cerca de nove meses, está profundamente comovida com a perda. "A comunidade está toda sentida. Eu gostava muito porque os bichinhos eram carentes demais. Chegavam e abraçavam a gente", lamentou Neto, vizinho que havia cedido a casa para a família sem custo.

Essa tragédia abalou não só os moradores locais, mas todo o Estado do Piauí, que agora espera respostas sobre o que causou o incêndio fatal que tirou a vida de Samuel e Sofia.

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