
Presidente alienou forças de centro que o apoiaram no pleito passado e encastelou-se em ideias arcaicas
Lula ignorou a ascensão de uma classe que aspira a construir seu caminho para a prosperidade, valoriza a vida religiosa e deplora a insegurança.
Na política, a capacidade de extrair lições das derrotas e também das vitórias distingue os bons competidores dos comuns. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nada aprendeu com o triunfo de 2022.
Se o mandato do petista eleito era exatamente igual, no papel, aos outros dois que conquistara no início do século, na realidade era muito diferente. Lula sobrepujou o incumbente, Jair Bolsonaro (PL), por um fiapo correspondente a 1,8% dos votos.
Sem o apoio de lideranças e eleitores de centro, que, em outros pleitos e no primeiro turno de 2022, eram críticos ao PT, Lula não teria passado os últimos quatro anos no Palácio do Planalto.
A sociedade brasileira também estava modificada duas décadas depois da primeira posse do petista. Era patente a intolerância com as aventuras do intervencionismo estatal após a catástrofe recessiva perpetrada pela administração Dilma Rousseff (PT).
Ascendeu uma classe que aspira a construir o próprio caminho para a prosperidade, valoriza as relações familiares e a vida religiosa, deplora a insegurança pública e não se curva às tutelas das elites universitárias com suas batalhas vernaculares e culturais.
Mas Lula e o PT não atentaram para os alertas. Ainda na transição de governo, o presidente começou a atacar a autonomia do Banco Central, que depois o salvaria de uma crise inflacionária, mas ao preço elevado de uma escalada sem precedentes dos juros reais.
Antes mesmo de tomar posse, patrocinou uma emenda constitucional que autorizou R$ 170 bilhões em despesas federais. Alienou a boa vontade que angariara na eleição de alguns dos melhores e mais tarimbados economistas, que teriam composto sua equipe de governo se fossem convidados.
O isolamento no reino das ideias ultrapassadas do petismo permeou outras áreas. A mentalidade sindicalista dos anos 1980 fracassou na tentativa de lidar com a realidade da economia dos aplicativos, e o dirigismo esquerdista soçobrou na missão de dialogar com o movimento evangélico.
A qualidade dos auxiliares com acesso ao presidente despencou. Rodeado de bajuladores incapazes de confrontar o chefe com os erros clamorosos de sua gestão, Lula encastelou-se na convicção de que tudo corria bem e de que o eleitorado reconheceria, por gravidade, seu mérito nas eleições.
As dificuldades que o candidato à recondução enfrentará no próximo dia 25 não são fruto episódico de algum equívoco de campanha ou de falhas de comunicação. Decorrem do déficit de compreensão do terreno em que o terceiro mandato se desenvolveria.
A soberba do líder petista cobrará seu preço: julgar-se o senhor da razão, isolar-se de segmentos que poderiam lhe render melhores políticas e mais votos, negar-se a compartilhar o poder e trancar-se na ignorância.
Lula, provavelmente melhor do que o bolsonarismo apresentou até aqui em tudo o que não diz respeito à condução da economia, flerta agora com o fracasso.
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