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Editorial EDITORIAL

Lula flerta com o fracasso porque nada aprendeu de 2022

O que pensa o Jornal/portal Folha de São Paulo

11/10/2026 às 17h37 Atualizada em 11/10/2026 às 18h23
Por: Josenildo Melo Fonte: Texto na íntegra - FOLHA - Jornal/portal
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Foto: Evaristo Sá/AFP
Foto: Evaristo Sá/AFP

Presidente alienou forças de centro que o apoiaram no pleito passado e encastelou-se em ideias arcaicas

Lula ignorou a ascensão de uma classe que aspira a construir seu caminho para a prosperidade, valoriza a vida religiosa e deplora a insegurança.

Na política, a capacidade de extrair lições das derrotas e também das vitórias distingue os bons competidores dos comuns. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nada aprendeu com o triunfo de 2022.

Se o mandato do petista eleito era exatamente igual, no papel, aos outros dois que conquistara no início do século, na realidade era muito diferente. Lula sobrepujou o incumbente, Jair Bolsonaro (PL), por um fiapo correspondente a 1,8% dos votos.

Sem o apoio de lideranças e eleitores de centro, que, em outros pleitos e no primeiro turno de 2022, eram críticos ao PT, Lula não teria passado os últimos quatro anos no Palácio do Planalto.

A sociedade brasileira também estava modificada duas décadas depois da primeira posse do petista. Era patente a intolerância com as aventuras do intervencionismo estatal após a catástrofe recessiva perpetrada pela administração Dilma Rousseff (PT).

Ascendeu uma classe que aspira a construir o próprio caminho para a prosperidade, valoriza as relações familiares e a vida religiosa, deplora a insegurança pública e não se curva às tutelas das elites universitárias com suas batalhas vernaculares e culturais.

Mas Lula e o PT não atentaram para os alertas. Ainda na transição de governo, o presidente começou a atacar a autonomia do Banco Central, que depois o salvaria de uma crise inflacionária, mas ao preço elevado de uma escalada sem precedentes dos juros reais.

Antes mesmo de tomar posse, patrocinou uma emenda constitucional que autorizou R$ 170 bilhões em despesas federais. Alienou a boa vontade que angariara na eleição de alguns dos melhores e mais tarimbados economistas, que teriam composto sua equipe de governo se fossem convidados.

O isolamento no reino das ideias ultrapassadas do petismo permeou outras áreas. A mentalidade sindicalista dos anos 1980 fracassou na tentativa de lidar com a realidade da economia dos aplicativos, e o dirigismo esquerdista soçobrou na missão de dialogar com o movimento evangélico.

A qualidade dos auxiliares com acesso ao presidente despencou. Rodeado de bajuladores incapazes de confrontar o chefe com os erros clamorosos de sua gestão, Lula encastelou-se na convicção de que tudo corria bem e de que o eleitorado reconheceria, por gravidade, seu mérito nas eleições.

As dificuldades que o candidato à recondução enfrentará no próximo dia 25 não são fruto episódico de algum equívoco de campanha ou de falhas de comunicação. Decorrem do déficit de compreensão do terreno em que o terceiro mandato se desenvolveria.

A soberba do líder petista cobrará seu preço: julgar-se o senhor da razão, isolar-se de segmentos que poderiam lhe render melhores políticas e mais votos, negar-se a compartilhar o poder e trancar-se na ignorância.

Lula, provavelmente melhor do que o bolsonarismo apresentou até aqui em tudo o que não diz respeito à condução da economia, flerta agora com o fracasso.

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Sobre Josenildo Nascimento Melo é jornalista, estudou direito, é Bacharel em Serviço Social pelo ICF - Instituto Camillo Filho. É também licenciado em Filosofia pelo ICESPI - Instituto Católico de Estudos Superiores do Piauí.
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