
O auditório Helena, no Atlantic City, foi tomado neste sábado, 25 de julho, pelo som forte e marcante dos atabaques. O espaço da convenção do PSD ganhou a atmosfera dos terreiros de Umbanda, com a presença expressiva de praticantes das religiões de matriz africana e simpatizantes que foram manifestar apoio à pré-candidata a deputada estadual Mãe Ruthnéia.
Mais do que música e celebração, o ritmo dos atabaques transformou-se em símbolo de identidade, resistência e pertencimento. Em vários momentos, o som foi tão intenso que abafou até mesmo as tradicionais charangas presentes no evento, criando uma cena incomum e carregada de significado político e cultural. Também houve cânticos dedicados aos orixás, reafirmando a presença da religiosidade afro-brasileira em um espaço historicamente ocupado por outras manifestações.
Professora, mãe de santo e agora candidata à Assembleia Legislativa do Piauí, Mãe Ruthnéia defende que a política deve garantir respeito a todas as formas de fé e de convivência. Para ela, a bandeira do axé representa acolhimento, dignidade, igualdade e o direito constitucional de cada cidadão professar livremente sua religião.
Segundo a pré-candidata, chegou o momento de o povo de terreiro conquistar representatividade no Parlamento estadual, ocupando um espaço que historicamente permaneceu distante das religiões de matriz africana.
Com experiência acumulada tanto na sala de aula quanto na liderança religiosa, Mãe Ruthnéia afirma já ter percorrido mais de 50 municípios piauienses levando uma mensagem de combate à intolerância religiosa e de valorização da educação como instrumento de transformação social.
Durante o discurso, destacou que sua caminhada vai além de uma campanha eleitoral.
"Por onde estamos andando pelo Piauí, levando essa mensagem de esperança que é do axé, estamos dizendo ao nosso povo que podemos usar nosso turbante, nossa guia e professar nossa fé, porque a Constituição garante o direito de ir e vir, de crer ou não crer. Esta pré-candidatura é muito mais do que uma ação política. É uma ação espiritual, civil, social e, por consequência, religiosa. O que estamos levantando é a bandeira do respeito. E dessa fé eu não abro mão", afirmou.
Independentemente das preferências políticas, a convenção evidenciou um aspecto importante da democracia: a busca por representatividade de segmentos historicamente pouco presentes nos espaços de poder. Ao transformar os atabaques em instrumento de mobilização política, o movimento mostrou que cultura, identidade e participação social também ocupam lugar no debate eleitoral.
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