
A crise financeira enfrentada pelo Hospital São Marcos, referência no tratamento oncológico no Piauí, ganhou novos contornos políticos. Após a direção da instituição anunciar que deixou de receber novos pacientes por falta de recursos, o pré-candidato ao Governo do Estado, Joel Rodrigues, do Progressistas, fez duras críticas à gestão do governador Rafael Fonteles.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Joel classificou a situação como inadmissível e questionou o volume de recursos destinados pelo Governo do Estado ao hospital. Segundo ele, o repasse estadual, atualmente de aproximadamente R$ 900 mil, é inferior aos valores destinados pela Prefeitura de Teresina, pelo Governo Federal e até mesmo pelo Governo do Maranhão, embora o São Marcos seja uma instituição que atende, majoritariamente, pacientes piauienses.
Para Joel Rodrigues, os números revelam uma inversão de prioridades. O pré-candidato afirmou que o Governo do Estado destina mais recursos para publicidade institucional do que para o Hospital São Marcos, justamente no momento em que a unidade enfrenta dificuldades para manter o atendimento a novos pacientes com câncer.
Na avaliação do líder progressista, quando faltam recursos para um hospital que salva vidas e sobram verbas para propaganda governamental, é inevitável o questionamento sobre quais são, de fato, as prioridades da administração estadual.
Joel também aproveitou para defender uma mudança na política de saúde do Piauí. Segundo ele, é necessário descentralizar o atendimento especializado para reduzir a dependência de Teresina. O argumento ganha força diante da informação divulgada pela própria direção do Hospital São Marcos de que cerca de 59% dos pacientes em tratamento são oriundos do interior do estado, muitos obrigados a percorrer centenas de quilômetros em busca de atendimento.
O episódio reacende o debate sobre o financiamento da saúde pública no Piauí e coloca em evidência a situação da principal instituição oncológica do estado. Enquanto o hospital alerta para a falta de recursos e a interrupção do recebimento de novos pacientes, cresce a pressão para que Governo do Estado, União e demais entes públicos encontrem uma solução que garanta a continuidade da assistência aos pacientes que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde.
Independentemente da disputa política, o caso evidencia uma realidade incontestável: para quem enfrenta um diagnóstico de câncer, tempo significa vida. E qualquer atraso na oferta de tratamento pode representar consequências irreversíveis.
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