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Economia TARIFA DE 12,5%

EUA justificam nova taxa contra produtos brasileiros com denúncias de trabalho forçado

Relatório americano aponta falhas na fiscalização, concorrência desleal e avanço das exportações brasileiras como razões para sobretaxa de 12,5%

03/06/2026 às 09h58
Por: Douglas Ferreira
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Produtos brasileiros serão taxados em 12,5% - Foto: Reprodução
Produtos brasileiros serão taxados em 12,5% - Foto: Reprodução

EUA apontam trabalho forçado como motivo para nova taxação contra produtos brasileiros

A nova ameaça comercial dos Estados Unidos contra o Brasil vai muito além das recentes divergências políticas entre os dois países. Segundo investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), o governo americano entende que o Brasil não possui mecanismos legais suficientes para impedir a entrada e a circulação de produtos ligados ao trabalho forçado, o que, na visão de Washington, gera concorrência desleal para os produtores americanos.

O relatório propõe uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros 59 países. Entre os principais argumentos apresentados está a alegação de que existe registro de trabalho análogo à escravidão na cadeia produtiva da pecuária brasileira. O documento cita a chamada "Lista Suja do Trabalho Escravo", mantida pelo próprio governo brasileiro, como evidência de que ainda existem produtores rurais envolvidos em práticas ilegais.

Outro ponto que pesa contra o Brasil é o crescimento expressivo das exportações de carne bovina para a China. Os americanos afirmam que, enquanto as vendas brasileiras dispararam nos últimos anos, as exportações dos Estados Unidos perderam espaço naquele mercado. Segundo o relatório, a carne brasileira chega à China com preços significativamente menores, o que, na interpretação americana, poderia estar relacionado a custos reduzidos por falhas na fiscalização das cadeias produtivas.

Além da carne bovina, o documento menciona produtos como algodão, alumínio, cacau, café, níquel, arroz e tabaco. Os EUA argumentam que países investigados importam mercadorias de regiões associadas ao trabalho forçado e, posteriormente, competem com produtos americanos nos mercados internacionais.

O governo americano também critica a legislação brasileira por não possuir uma proibição específica para a importação de produtos produzidos com trabalho forçado em outros países. Para Washington, essa ausência de barreiras legais favoreceria cadeias produtivas que utilizam mão de obra explorada.

Por outro lado, o Brasil rebate as acusações. O país é signatário das principais convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mantém mecanismos reconhecidos internacionalmente de combate ao trabalho escravo moderno e possui instrumentos como a Lista Suja do Trabalho Escravo, considerada pela ONU uma referência mundial no enfrentamento desse tipo de crime.

Na prática, a investigação americana mistura questões trabalhistas e comerciais. Embora o discurso oficial seja o combate ao trabalho forçado, o próprio relatório destaca repetidamente a perda de competitividade dos produtores americanos diante do avanço das exportações brasileiras, especialmente no setor agropecuário. É justamente esse ponto que deve alimentar a disputa diplomática e comercial entre Brasília e Washington nos próximos mes

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