
A possível colaboração premiada de Daniel Vorcaro já deixou de ser apenas um caso policial ou financeiro. O que começa a surgir é um escândalo de proporções quase inimagináveis para os padrões brasileiros. Segundo revelou o jornalista Cláudio Humberto, em sua tradicional coluna publicada nesta segunda-feira no Diário do Poder, o valor negociado por Vorcaro junto à Procuradoria-Geral da República pode alcançar impressionantes R$ 60 bilhões.
Sim. Bilhões. Um valor tão gigantesco que simplesmente supera o orçamento anual de 25 capitais brasileiras. É como se o dinheiro envolvido no Caso Master fosse maior do que os cofres públicos de praticamente todas as grandes cidades do país. Apenas São Paulo, com orçamento de R$ 137 bilhões, e Brasília, com R$ 74,4 bilhões, ficariam acima da cifra atribuída ao acordo negociado.
O restante fica para trás. O Rio de Janeiro, por exemplo, possui orçamento inferior aos recursos que poderiam estar no centro da delação. Belo Horizonte também. E o mais impressionante: segundo a análise publicada por Cláudio Humberto, o montante supera inclusive a soma da receita de 14 capitais brasileiras.
A comparação ajuda a dimensionar o tamanho do terremoto financeiro que ronda o Caso Master. O valor atribuído ao acordo também ultrapassa o lucro líquido anual do Itaú Unibanco, que possui cerca de 70 milhões de clientes. Até a Petrobras aparece na comparação. O montante negociado seria maior do que o lucro da estatal em 2024.
E aqui entra a contradição que muitos analistas apontam. Enquanto o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teria minimizado o Banco Master chamando a instituição de “terceira divisão do sistema financeiro”, os números que surgem nos bastidores revelam uma operação digna de Copa do Mundo financeira. Como destacou Cláudio Humberto, o padrão é “Fifa”.
A dimensão do caso assusta justamente porque transcende o universo bancário. Quando cifras dessa magnitude entram numa negociação de delação premiada, o que se desenha é um possível efeito dominó político, econômico e institucional. Afinal, um escândalo capaz de movimentar dezenas de bilhões dificilmente teria operado isoladamente ou sem conexões profundas com setores de poder.
O Caso Master vai deixando de ser apenas um problema de mercado para se transformar numa bomba institucional. Uma bomba que mistura sistema financeiro, investigação criminal, suspeitas de blindagem política e cifras que fazem até grandes orçamentos públicos parecerem pequenos.
E quanto maior o valor envolvido, maior também passa a ser a pressão sobre os órgãos responsáveis pela investigação. Porque a sociedade começa a perguntar até onde essa história realmente pode chegar.
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