
O quadro Gazeta Hora1 Turismo homenageia neste sábado a cidade de Pedro II, no Norte do Estado. Fundada em 11 de agosto de 1854, a chamada Cidade Imperial chega a 171 anos com um patrimônio que vai muito além do nome que reverencia o imperador brasileiro: é um território de histórias, riquezas minerais e encantamentos naturais.
Encravada na Serra dos Matões, a cerca de 600 metros de altitude, Pedro II oferece clima ameno o ano inteiro e um cenário perfeito para quem busca ecoturismo, cultura e descanso. O visitante encontra cachoeiras, trilhas, formações rochosas e um centro urbano que preserva casarios do século XIX, testemunhas de um passado que segue vivo.
No subsolo, brilha a opala, gema rara encontrada no mundo apenas aqui e na Austrália. A cadeia produtiva pode ser visitada das minas a céu aberto, como a Mina do Boi Morto, às oficinas de lapidação e ourivesaria, que transformam a pedra em arte e renda. Na superfície, o artesanato em fios de algodão mantém uma tradição iniciada no século XIX, famosa por redes, tapeçarias e colchas de qualidade reconhecida nacionalmente.
A herança cultural também pulsa no calendário. Desde 2004, o Festival de Inverno de Pedro II ocupa o feriado de Corpus Christi com música, arte e turismo, integrando ecoturismo, artesanato e esporte a shows de artistas locais, nacionais e internacionais.
Para quem aprecia história, o Centro reúne imóveis seculares e espaços de memória como o Memorial Tertuliano Brandão Filho, a antiga Junta Comercial hoje dedicada à lapidação de opalas, o Solar da Estrela Marrom e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. O Mercado do Artesão completa o circuito urbano.
Pedro II guarda ainda mais de 200 sítios arqueológicos catalogados, prova da presença indígena milenar. Alguns possuem estrutura para visitação guiada, como Serra do Quinto, Buriti Grande dos Aquiles, Torre 1 e Torre 2, com painéis de figuras humanas, animais e grafismos abstratos.
No campo, a experiência se amplia. Há museu particular em casarão do século XIX, engenho e Casa de Farinha em funcionamento em épocas festivas, além de hospedagem rural para quem deseja vivenciar o cotidiano do homem do campo, do plantio à colheita.
As lendas também fazem parte do roteiro. A história de Maria Alves, menina cearense que teria morrido de fome e sede à sombra de uma árvore, mobiliza devoção popular e uma capela erguida em sua homenagem, reforçando o misticismo local.
Entre os cartões-postais naturais, destacam-se a Cachoeira do Salto Liso (26 m, visitável de fevereiro a julho) e a Cachoeira do Urubu Rei (76 m, acesso difícil), além do mirante mais famoso do Estado: o Morro do Gritador, a 729 m de altitude, com vista majestosa dos vales e a curiosa lenda do chapéu que volta com o vento.
Chegar é simples: de Teresina, siga pela BR-343 até Piripiri e depois pela BR-404 por cerca de 50 km; ou, vindo do Ceará, por Crateús, também pela BR-404. Ao chegar, o visitante encontra 171 anos de história viva, natureza exuberante e uma gente trabalhadora que sabe acolher. Pedro II não é apenas destino. É experiência.
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