
Neste sábado, o quadro Gazeta Hora1 Turismo desembarca em um dos cenários mais emblemáticos do litoral brasileiro para apresentar o documentário "Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência". A produção revela as belezas naturais, a história, a cultura e os desafios vividos pelos moradores da tradicional Vila de Ponta Negra, em Natal (RN), onde o famoso Morro do Careca se tornou símbolo do turismo potiguar. Mais do que mostrar paisagens encantadoras, o documentário mergulha nas transformações provocadas pelo crescimento urbano, pela expansão do turismo e pelas recentes intervenções na orla, dando voz a pescadores, rendeiras e moradores que lutam para preservar sua identidade diante das mudanças que moldam o futuro de um dos cartões-postais mais conhecidos do Brasil.
Poucos lugares possuem uma identidade tão forte com uma capital brasileira quanto Ponta Negra possui com Natal. Quando alguém pensa no Rio Grande do Norte, dificilmente deixa de imaginar a imagem imponente do Morro do Careca, moldura natural que transformou a praia em um dos cartões-postais mais conhecidos do país.
Mas por trás das fotografias, dos hotéis, dos restaurantes e do intenso fluxo de turistas, existe uma história muito mais profunda: a história de uma antiga vila de pescadores que viu seu cotidiano ser completamente transformado pelo crescimento urbano e pela força do turismo.
É justamente essa realidade que o documentário "Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência" busca apresentar ao público.
A produção mergulha na alma de Ponta Negra para mostrar que o lugar vai muito além das paisagens paradisíacas. O filme acompanha moradores tradicionais, pescadores, rendeiras, pesquisadores e representantes do poder público para entender como as mudanças recentes impactaram a vida de quem nasceu e cresceu na região.
Durante décadas, a pesca artesanal foi uma das principais atividades econômicas da comunidade. Os barcos coloridos, as redes lançadas ao mar e o conhecimento transmitido de geração em geração ajudaram a construir a identidade cultural da vila.
Da mesma forma, a tradicional renda de bilro tornou-se símbolo da resistência cultural das mulheres da comunidade, preservando técnicas artesanais que atravessaram gerações.
Com o crescimento turístico, entretanto, a realidade começou a mudar.
O que antes era uma pequena comunidade costeira passou a conviver com grandes empreendimentos imobiliários, hotéis, bares, restaurantes e um intenso processo de urbanização. Vieram os investimentos, o desenvolvimento econômico e a valorização da região. Mas também chegaram novos desafios.
Entre eles estão a pressão imobiliária, as mudanças no modo de vida dos moradores tradicionais, os impactos ambientais e as transformações da própria dinâmica costeira.
Nesse contexto surge um dos temas centrais abordados pelo documentário: a chamada engorda da Praia de Ponta Negra.
Concluída no início de 2025, a obra consistiu na ampliação da faixa de areia ao longo da orla com o objetivo de conter o avanço do mar e reduzir os efeitos da erosão, especialmente nas proximidades do Morro do Careca.
Segundo a Prefeitura de Natal, cerca de 94% da areia depositada permanece na região, embora estudos apontem que parte do material tenha migrado para áreas submersas, alterando características naturais da praia e gerando debates entre especialistas, ambientalistas e moradores.
O documentário não toma partido. Seu mérito está justamente em ouvir diferentes vozes.
De um lado, gestores públicos destacam a importância da intervenção para proteger a orla e garantir a atividade turística. De outro, moradores e pesquisadores levantam questionamentos sobre os impactos ambientais e sociais provocados pelas mudanças.
O resultado é um retrato sensível de uma comunidade que tenta equilibrar desenvolvimento, preservação ambiental e manutenção de sua identidade cultural.
Ponta Negra continua encantando turistas do mundo inteiro.
O Morro do Careca segue sendo uma das paisagens mais fotografadas do Nordeste.
O mar continua atraindo visitantes.
Mas o documentário lembra algo fundamental: por trás do cartão-postal existe uma comunidade viva, com história, cultura, tradições e desafios que merecem ser conhecidos e valorizados.
Mais do que uma praia famosa, Ponta Negra é um patrimônio humano, cultural e ambiental do Rio Grande do Norte.
E compreender suas transformações talvez seja a melhor forma de preservar sua essência para as próximas gerações.





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