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Turismo MISTÉRIO E CIÊNCIA

Parque Nacional de Sete Cidades: onde a geologia encontra o mistério e a ciência dialoga com a imaginação

No Norte do Piauí, um patrimônio natural e arqueológico brasileiro segue despertando o interesse de pesquisadores estrangeiros e encantando turistas do mundo inteiro

21/12/2025 às 05h26
Por: Douglas Ferreira
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Parque Nacional de Sete Cidades um sítio arqueológico envolto em mistérios - Foto: Reprodução
Parque Nacional de Sete Cidades um sítio arqueológico envolto em mistérios - Foto: Reprodução

A Gazeta Hora1 Turismo convida o leitor a percorrer um dos caminhos mais emblemáticos do Piauí: o que liga Teresina ao Parque Nacional de Sete Cidades, em Piracuruca. São aproximadamente 194 quilômetros por estrada, percorridos em cerca de 2h37 de carro, tempo suficiente para sair da capital e mergulhar em um dos maiores patrimônios naturais, históricos e científicos do estado. Trata-se de um passeio obrigatório para qualquer teresinense interessado em conhecer, de fato, os pontos turísticos do Piauí - e mais ainda para colégios públicos e privados, que encontram no parque um laboratório vivo, uma fonte permanente de pesquisa, um espaço privilegiado para aulas de campo que unem geografia, história, arqueologia, biologia e educação ambiental em um só cenário.

Localizado nos municípios de Piracuruca, e Brasileira, no Norte do Piauí, o Parque Nacional de Sete Cidades é um daqueles raros lugares capazes de unir ciência, história, cultura e fascínio popular em um mesmo cenário. Mais do que um cartão-postal, o parque é um verdadeiro arquivo natural a céu aberto, onde milhões de anos de história geológica se misturam a vestígios humanos milenares e a interpretações que atravessaram fronteiras.

As chamadas “sete cidades” não são ruínas construídas por mãos humanas, mas imponentes formações de arenito, esculpidas ao longo de cerca de 190 milhões de anos pela ação do vento, da chuva e das variações climáticas. O resultado são conjuntos rochosos que lembram ruas, muralhas, portais e figuras reconhecíveis, provocando no visitante a sensação de estar caminhando por uma cidade petrificada pelo tempo.

Um sítio que desafia gerações de pesquisadores

Desde o fim do século XIX, as Sete Cidades despertam a atenção de estudiosos brasileiros e estrangeiros. Os primeiros registros científicos datam de 1886, quando o local foi apresentado ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Ao longo do século XX, geólogos, arqueólogos, historiadores e antropólogos passaram a estudar a região, atraídos tanto pela singularidade das formações quanto pelas pinturas rupestres, datadas entre 6 mil e 2 mil anos, que comprovam a presença de povos indígenas pré-históricos.

A área integra a Bacia do Parnaíba, o que faz do parque um dos mais importantes laboratórios naturais para estudos de geomorfologia e sedimentologia no Brasil. Para a arqueologia, as inscrições rupestres colocam o parque em diálogo direto com outros grandes sítios do Nordeste, como a Serra da Capivara, ajudando a reconstruir a história da ocupação humana na região.

O olhar estrangeiro e o debate que atravessou o mundo

O magnetismo das Sete Cidades ultrapassou o campo acadêmico tradicional. O parque ganhou projeção internacional ao ser citado pelo escritor suíço Erich von Däniken, autor do livro Eram os Deuses Astronautas?. Na obra, Däniken menciona o sítio piauiense como um dos lugares que, segundo sua visão, poderiam levantar questionamentos sobre a origem de certas formações monumentais na Terra.

Embora a ciência não reconheça essas interpretações como evidência arqueológica válida, a citação teve um efeito concreto: colocou o Parque Nacional de Sete Cidades no radar internacional, atraindo curiosidade, debates e a visita de pesquisadores estrangeiros interessados em compreender, de forma científica, a verdadeira origem do sítio.

Um tesouro turístico ainda pouco explorado

Além de seu valor científico e histórico, o Parque Nacional de Sete Cidades é um destino turístico singular. Trilhas bem definidas conduzem o visitante por cenários de rara beleza, passando por formações icônicas como a Pedra da Tartaruga, o Portal dos Desejos, o Mapa do Brasil e o Mapa do Piauí. O parque também abriga cachoeiras, piscinas naturais, mirantes e uma rica biodiversidade, onde se encontram espécies do cerrado, da caatinga e de matas de galeria.

Catirina, um morador ilustre

Entre as histórias humanas que ajudam a construir o imaginário do Parque Nacional de Sete Cidades, uma das mais marcantes é a do eremita Catirina. Cearense, curandeiro e profundamente marcado por tragédias pessoais, ele teria se estabelecido na região após a morte de seus filhos, em 1936, escolhendo como morada uma gruta localizada na chamada Quarta Cidade, onde viveu até 1938.

O cearense Catirinha escolheu o parque para fazer morada - Foto: Reprodução

Isolado, Catirina preparava poções e remédios caseiros, atraindo moradores e visitantes em busca de cura, conselhos e mistério. Sua presença silenciosa, quase mítica, atravessou o tempo e passou a integrar o patrimônio imaterial das Sete Cidades, reforçando que o parque não é feito apenas de pedras milenares, mas também de histórias humanas, crenças populares e narrativas que ajudam a explicar por que o lugar segue despertando curiosidade, respeito e fascínio até hoje.

Administrado pelo ICMBio, o parque dispõe de centro de visitantes, sinalização e guias credenciados, oferecendo uma experiência segura e educativa. Embora não haja hospedagem dentro da unidade, cidades vizinhas dão suporte ao turista, tornando a visita acessível e organizada.

Um convite ao Brasil e ao mundo

O Parque Nacional de Sete Cidades é mais do que um destino turístico: é um símbolo do potencial científico e cultural do Nordeste brasileiro. Um lugar onde a natureza conta sua própria história, onde o passado indígena deixa marcas nas rochas e onde pesquisadores do Brasil e do exterior continuam encontrando perguntas, e respostas, sobre a formação do planeta e da humanidade.

Entre a ciência rigorosa e o imaginário que atravessou livros e continentes, as Sete Cidades seguem de pé, silenciosas e monumentais, esperando ser descobertas, ou redescobertas, pelo Brasil e pelo mundo.

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