
No Gazeta Hora1 Turismo de hoje, a gente atravessa o Rio Parnaíba, sem passaporte, sem fila e sem drama, e dá aquela esticada estratégica até Caxias, no vizinho Maranhão. Conhecida como Princesa do Sertão, a cidade é dessas que chegam mansinhas, mas quando você vê… já conquistou seu coração. E não é que conquistou o meu!
E não se engane: apesar do apelido sertanejo, Caxias é também porta de entrada da Amazônia Legal. Ou seja, é sertão, é verde, é história, é cultura, tudo junto e misturado, como boa cidade brasileira gosta de ser.
Caxias não é qualquer cidade. É berço de gente grande da literatura brasileira. Estamos falando de Coelho Neto, Vespasiano Ramos e, claro, Gonçalves Dias, o poeta dos poetas.
É dele aquela frase que todo brasileiro já ouviu na escola (“Minha terra tem palmeiras…”). Pois é. Saiu tudo daqui. Gonçalves Dias foi indianista, nacionalista, apaixonado pela natureza, pelos povos indígenas e pela ideia de Brasil, daqueles que escreviam com o coração e sem Wi-Fi.
Resumo da ópera: em Caxias, até o vento sopra poesia. Que o digam os amigos Wybson Carvalho e Ana Rosária Soares.
Agora, vamos ao que interessa: o caxiense.
O povo de Caxias é daquele tipo que te chama de “meu amigo” em cinco minutos, te oferece um café sem perguntar seu nome e, quando você percebe, já está almoçando na casa de alguém. Sim, eu vivi isso e cultivei grandes amigos na “terra de Gonçalves Dias”: Washington Torres, Cláudio Sabá, Antônio José Albuquerque, o Catulé, Getúlio Silva, o comendador Alderico Jefferson da Silva, o seu Dá, Clidenor Guimarães, o saudoso fotógrafo Sinéio Santos e o grande deputado João Afonso Barata. E vou parando por aqui, receoso de cometer injustiças, mas convicto de que já as cometi.
Aqui, hospitalidade não é marketing, é modo de vida. Tanto que corre solta a lenda (que mais parece verdade): "quem bebe da água do Rio Itapecuru cria raiz". Portanto, cuidado!
Chega para visitar, fica para trabalhar… e acaba ficando para morar. A cidade conquista no sorriso, no papo e no jeito simples de receber.
E não pense que Caxias vive só de poesia e gentileza, não. A cidade já deu ao Maranhão e ao Brasil nomes de peso na política, como o eterno senador Alexandre Costa e governadores como Paulo Ramos e João Castelo. E o que dizer de Sinval de Moura? Esse caxiense foi juiz e grande gestor, tanto que chegou a governar quatro Estados brasileiros: Piauí (por duas vezes); Ceará, Paraíba e Amazonas. Quem me lembrou o feito foi outro caxiense raiz, Edmilson Sanches. Gratidão!
Ou seja: além de charmosa, Caxias tem história e influência.
Agora vamos falar de coisa séria: comida.
Um dos lugares mais queridos da cidade é o Balneário Veneza. Não tem gôndola, não tem italiano cantando ópera, mas tem algo muito melhor: natureza bonita e comida que dá vontade de chorar de alegria.
O destaque absoluto é o lendário pirão de parida. Funciona assim:
Você escolhe a galinha caipira;
Ela vira um caldo respeitoso;
O caldo vira um pirão poderoso;
E o prato serve até seis pessoas (ou menos, se o povo estiver com muita fome).
É tradição, é sabor e é experiência gastronômica raiz.
Caxias pode até não ser cidade de turismo de massa, mas o que não falta é coisa boa para fazer.
Lugar perfeito para sentar, conversar, observar a vida passar e sentir o clima da cidade. Se tiver evento, melhor ainda.
Bonita, histórica e cheia de paz. Daquelas que pedem uma visita silenciosa… ou pelo menos respeitosa.
Quer entender a cidade de verdade? Passa por aqui. História viva, sem tédio.
Ideal para caminhar, respirar, fugir do calor e fingir que vai começar uma vida fitness.
Aqui o cheiro é de tempero bom. Frutas, artesanato e pratos típicos. Prove o arroz de cuxá e depois me agradeça.
Sempre tem alguma coisa acontecendo. Arte, exposição, música e aquele clima gostoso de cultura local.
Lugar calmo, bonito e perfeito para fotos, piquenique ou simplesmente… não fazer nada.
Se der sorte de pegar a cidade em clima de festa, vá sem medo. Música, dança e comida garantidas.
Imponente, bonita e cheia de significado para a cidade.
Carne de sol, peixe frito, pratos com mandioca, galinha caipira… Em Caxias, dieta não tem vez.
Caxias é aquela cidade que:
- Recebe bem;
- Conta boas histórias;
- Come melhor ainda;
- E faz você pensar: “e se eu ficasse?”
Se passar por lá, cuidado. Beba pouca água do Itapecuru… ou prepare-se para criar morada.
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