
O turismo no litoral do Piauí dificilmente vai explodir para o Brasil — e muito menos para o mundo. A exceção é Barra Grande, o vilarejo paradisíaco do município de Cajueiro da Praia, que virou sinônimo de charme, paz e natureza intocada. Fora isso, Parnaíba, Ilha Grande e Luís Correia estão praticamente condenadas ao atraso.
Apesar dos esforços da iniciativa privada, que ainda insiste em acreditar no potencial da região, o poder público — municipal e estadual — parece ter desistido. Não há políticas de incentivo, nem ações concretas para atrair o turista local ou nacional. Pousadas tradicionais agonizam, e outras, que já simbolizaram a modernidade, vivem hoje o ostracismo absoluto.
Mas afinal, o que levou o litoral piauiense a tamanha decadência? As causas são muitas e graves: ingerência das prefeituras, incompetência das secretarias de turismo, inclusive a do Estado, avanço da criminalidade, além do domínio de facções criminosas que espalham medo da periferia às barracas de praia.
Já houve execuções em plena luz do dia — e até mortes por engano. Na praia de Atalaia, em Luís Correia, antes o coração pulsante do turismo piauiense, bares e restaurantes fecharam as portas. O que era sinônimo de lazer e vida noturna virou um cenário fantasma, onde ninguém se arrisca a estacionar o carro ou andar a pé após o pôr do sol.
Luís Correia tornou-se o único município do litoral nordestino que “para” à noite. Não há vida noturna, não há segurança. Os empreendedores que acreditaram no sonho do turismo agora sobrevivem como heróis da resistência, enfrentando ruas esburacadas, infraestrutura precária e o abandono total da prefeitura.
Quem tenta chegar a um hotel por GPS precisa dar voltas e voltas, desviando de ruas intransitáveis. Turismo virou aventura urbana. E o que faz a gestão municipal? Nada. Parece acreditar que turismo não dá dinheiro — nem voto.
E não vamos nem falar da falta de estrutura básica, como energia elétrica instável e falta d’água nas torneiras. Esse é um problema tão antigo quanto a própria corrupção. Como atrair turistas sem garantir o mínimo de conforto? O visitante chega buscando o paraíso e encontra apagões, ruas alagadas e torneiras secas — o tipo de experiência que ninguém quer repetir.
Outro ponto crítico são os altos preços praticados por bares e restaurantes. Uma família que se senta para almoçar num local simples não gasta menos de R$ 400, apenas com comida. E há resorts que se apoderam de praias inteiras, cobrando R$ 50 de entrada apenas para acessar o espaço. Resultado: praias vazias e negócios pela metade, mesmo em alta temporada. Algo de extremamente errado não está certo no litoral do Piauí.
E o governo do Estado? Bom, este vive de mídia e propaganda, apresentando projetos fantasiosos que jamais saem do papel. Se o secretário de Turismo do Piauí realmente existe, deveria visitar Luís Correia, conversar com os comerciantes e enxergar o que todos já sabem: o litoral está à beira do colapso.
Corrupção, violência e omissão formam o tripé da decadência. Obras prometidas não saem, outras ficam inacabadas, e o que sobra é a sensação de abandono e insegurança. Até mesmo hotéis tradicionais já pensam em encerrar as atividades.
Turismo não se faz com discursos e promessas, mas com ação e seriedade. O trade turístico piauiense está cansado de planos mirabolantes. Quer projetos pequenos, mas reais — com começo, meio e fim.
Se o governo estadual não entender que turismo é economia, emprego e desenvolvimento, o Piauí continuará girando em falso, incapaz de atrair investimentos — seja na indústria, na agricultura ou no turismo.
Enquanto isso, o Estado permanece espremido entre dois gigantes — Ceará e Maranhão — cujas economias pulsam e cujos governos planejam. O Piauí precisa de prioridade, seriedade e combate firme à criminalidade e à corrupção.
O Piauí ainda tem jeito, mas o tempo está se esgotando. E o litoral, que poderia ser o cartão-postal do Nordeste esquecido, corre o risco de se tornar o retrato mais triste da inércia e do descaso público.












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