
O caso do “Careca do INSS”, preso na última sexta-feira (12), ganhou contornos inesperados. Embora tenha conquistado no Supremo Tribunal Federal (STF) um “salvo-conduto” que o desobrigava de comparecer à CPMI do Congresso Nacional, Antônio Carlos Camilo Antunes decidiu depor nesta segunda-feira (15).
Apontado como o pivô do maior esquema de corrupção contra aposentados da história do país, o “Careca” é acusado de chefiar, em conluio com sindicatos e associações, uma engrenagem criminosa que teria fraudado cerca de 9 milhões de benefícios, incluindo aposentadorias no Piauí.
A notícia da decisão surpreendeu até o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União/AL), que recebeu a informação diretamente do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos/MG).
“Careca, o maior ladrão dos aposentados e pensionistas do Brasil, recebeu autorização do STF para não depor. O povo brasileiro não entende por que tanto privilégio para um criminoso como esse”, afirmou Gaspar em tom de indignação.
O ponto central, agora, é entender por que mesmo blindado pelo STF, o Careca resolveu falar. Estaria ele em busca de maior proteção? Sofreria ameaças dentro ou fora da prisão? Ou aposta em um discurso que possa aliviar sua situação judicial?
O depoimento é visto como peça-chave para o deslinde da investigação. A comissão busca comprovar como a fraude foi estruturada, quem eram os beneficiários políticos e quais servidores públicos, dirigentes de entidades e empresários participavam da rede de corrupção.
Para Gaspar, não há dúvida sobre a gravidade do caso:
“O Brasil quer pena dura para esse vagabundo”, disse o relator, em vídeo gravado em Alagoas.
A expectativa no Congresso é alta. Afinal, o silêncio estava garantido pelo Supremo, mas a decisão de depor pode revelar novos capítulos sobre quem lucrava com o roubo sistemático dos aposentados.
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