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Redescoberta do 'Homem Americano': Serra da Capivara bate recorde de visitantes em julho

Com 7,8 mil turistas em um mês, parque arqueológico do Piauí desperta atenção mundial; entre políticas públicas e a memória de Niède Guidon, cresce o debate sobre quem é o verdadeiro responsável por sua projeção

08/08/2025 às 12h54
Por: Douglas Ferreira
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As visitações tiveram um incremente significativo nas férias de julho - Foto: Reprodução
As visitações tiveram um incremente significativo nas férias de julho - Foto: Reprodução

O Piauí é um Estado de belezas naturais imensas, mas ainda pouco exploradas pelo próprio piauiense, pelo brasileiro e pelo mundo. Entre serras, rios e cânions, um lugar em especial vem conquistando espaço no mapa do turismo histórico e ecológico: o Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Sul do Estado.

Em julho de 2025, o parque registrou 7.853 visitantes, novo recorde para o mês e número superior aos 6.597 do mesmo período no ano passado. Reconhecido como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, o local abriga o maior conjunto de sítios arqueológicos a céu aberto do planeta, com pinturas rupestres que remontam a até 50 mil anos, fósseis, trilhas ecológicas e paisagens que parecem intocadas pelo tempo.

O que atrai o visitante

Para muitos turistas, a Serra da Capivara é mais que um passeio: é uma imersão na pré-história. Os atrativos vão das cavernas com registros rupestres à biodiversidade da caatinga, passando por museus interativos como o Museu do Homem Americano e o Museu da Natureza. Trilhas guiadas, miradouros, formações rochosas e eventos culturais regionais completam a experiência.

Recorde: mérito do governo ou efeito Niède Guidon?

Para o secretário estadual de Turismo, Daniel Oliveira, o aumento na visitação é resultado de “políticas públicas integradas, investimentos em infraestrutura e ações de divulgação que têm fortalecido o turismo no interior do Piauí”.

Mas há quem veja outra razão para o “boom” recente: a comoção pela morte da arqueóloga Niède Guidon, que dedicou mais de quatro décadas à preservação e pesquisa do parque. Niède projetou a Serra da Capivara no Brasil e no mundo, garantindo a preservação de um patrimônio que, sem sua luta, poderia ter se perdido. Sua ausência teria transformado o parque em um destino de “peregrinação” para quem deseja conhecer seu legado.

Um patrimônio vivo

A Serra da Capivara luta diariamente para preservar não só fósseis e pinturas rupestres, mas também a narrativa sobre a origem do homem nas Américas. O bom desempenho em julho pode abrir caminho para um fluxo crescente nos próximos meses, impulsionado por eventos regionais, melhorias no acesso e fortalecimento do turismo local.

Mais que números, a Serra da Capivara representa um esqueleto vivo da história humana — e sua projeção, seja por políticas públicas ou pela memória de Niède Guidon, é uma oportunidade para que o Piauí mostre ao mundo que o passado ainda respira entre suas pedras e paredões.

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