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Embaixada brasileira em Madri entrou em cena para ajudar Lulinha na mudança para a Espanha; áudio

Mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram que o então embaixador Orlando Leite Ribeiro ofereceu estrutura da representação diplomática para auxiliar a família do filho de Lula; Itamaraty confirma apoio do setor educacional, mas nega uso de van

30/09/2026 às 12h24 Atualizada em 30/09/2026 às 13h40
Por: Douglas Ferreira
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Embaixador Orlando Leite Ribeiro, Roberta Luchsinger e Lulinha - Foto: Reprodução/Arte gerada por IA
Embaixador Orlando Leite Ribeiro, Roberta Luchsinger e Lulinha - Foto: Reprodução/Arte gerada por IA

A mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para Madri ganhou um ingrediente diplomático.

Mensagens recuperadas do celular da lobista Roberta Luchsinger, segundo reportagem do Metrópoles, mostram que o então embaixador brasileiro na Espanha, Orlando Leite Ribeiro, colocou serviços da embaixada à disposição dela e da mulher de Lulinha, Renata Abreu Moreira, durante o processo de instalação da família na capital espanhola, em 2025.

E não foi exatamente aquela velha orientação do tipo “procure um corretor de imóveis”.

O embaixador ofereceu funcionária da embaixada para acompanhar visitas a escolas, orientou sobre bairros de Madri e chegou a mencionar a disponibilização de uma van da representação diplomática para auxiliar na compra de móveis.

O Itamaraty, entretanto, afirma que a van não chegou a ser utilizada. A pasta confirmou que o setor educacional da Embaixada do Brasil em Madri prestou apoio a Luchsinger por possuir contatos com escolas locais.

“Estou aqui inteiramente às ordens”

As mensagens revelam uma relação bastante próxima.

Em janeiro de 2025, Orlando Leite Ribeiro se colocou à disposição para auxiliar na escolha de escolas para os filhos de Luchsinger e de Lulinha.

Em áudio, segundo a reportagem, o diplomata afirmou que poderia designar “uma funcionária da embaixada” para acompanhar as visitas.

A mensagem acabou encaminhada por Luchsinger para um grupo que incluía Renata Moreira e Lulinha.

Em outra conversa, o embaixador também ofereceu informações sobre bairros da capital espanhola.

Entre as sugestões estava La Moraleja, descrito por ele como uma região de classe média/alta, com casas sofisticadas, comparável ao Lago Sul de Brasília.

Convenhamos: para quem está chegando a uma nova cidade, não é exatamente o serviço “Google Maps”.

A embaixada como guia turístico?

As conversas mostram que o auxílio não teria ficado restrito à escolha de escolas.

Em fevereiro e março de 2025, Luchsinger e Renata Moreira discutiam visitas a instituições de ensino, inclusive à Universidade de Salamanca.

A lobista chegou a dizer que seria interessante contar com alguém da embaixada como intérprete.

“Vamos pedir p Orlandinho”, respondeu Renata, segundo as mensagens reproduzidas na reportagem.

O próprio embaixador teria intermediado uma reunião de Luchsinger com o reitor da Universidade de Salamanca, Juan Manuel Corchado Rodríguez.

E havia até “motorista do embaixador”

Outro detalhe chamou atenção.

Em setembro de 2024, Luchsinger teria utilizado os serviços de um contato salvo no celular como “Tiago Motorista Embaixador”, número espanhol e comunicação em português.

A existência desse contato, por si só, não demonstra irregularidade. Mas ajuda a explicar a extensão da rede de contatos à qual a lobista aparentemente tinha acesso.

Quem pagou a mudança?

Segundo o Metrópoles, Roberta Luchsinger organizou a mudança de Lulinha e arcou com os custos financeiros da transferência. Ela própria pretendia se mudar para Madri, mas o plano não se concretizou.

Lulinha vive na capital espanhola desde junho de 2025 e, de acordo com a reportagem, planejava permanecer no país por pelo menos dois anos.

O ponto relevante, portanto, não é apenas quem pagou a mudança.

É quem ajudou a organizá-la.

O Itamaraty confirma, mas faz ressalvas

Procurado pela reportagem, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que o setor educacional da Embaixada do Brasil em Madri prestou apoio a Luchsinger em relação às escolas, justamente por possuir contatos com instituições de ensino locais.

Ao mesmo tempo, o Itamaraty negou que tenha ocorrido cessão de veículo da embaixada e afirmou que a van mencionada em uma conversa não chegou a ser utilizada.

Essa distinção é importante.

Uma coisa é a existência de apoio institucional na área educacional, confirmada pelo próprio Itamaraty.

Outra é afirmar que houve utilização de recursos públicos para transportar móveis ou realizar uma mudança particular — algo que a pasta nega ter ocorrido.

A pergunta que fica

O episódio levanta uma questão que vai além da mudança de Lulinha para Madri.

Até onde pode ir a assistência de uma representação diplomática a brasileiros no exterior quando os beneficiários mantêm relações pessoais com autoridades e pessoas próximas ao poder?

O Itamaraty sustenta que houve apoio do setor educacional da embaixada. As mensagens divulgadas mostram um embaixador bastante solícito. E a reportagem apresenta outros contatos e intermediações.

Nada disso, isoladamente, estabelece que tenha havido ilegalidade.

Mas a história mostra algo que merece ser examinado com lupa: quando a fronteira entre serviço institucional e favor pessoal começa a ficar fina demais, qualquer mensagem de WhatsApp pode transformar uma simples “ajudinha” em uma pergunta de Estado.

E, neste caso, a pergunta chegou justamente de Madri.

Confira o áudio de conversa entre Luchsinger e o embaixador Orlando Leite Ribeiro: 

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