
A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal, ganhou um novo capítulo com o indiciamento de Aristides Veras dos Santos, ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). O relatório da investigação o aponta como suspeito dos crimes de organização criminosa e inserção de dados falsos em sistemas de informática, em um dos maiores escândalos envolvendo descontos indevidos sobre benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a Polícia Federal, a Contag está entre as entidades investigadas por realizar descontos associativos sem autorização dos beneficiários. As apurações indicam que a entidade arrecadou aproximadamente R$ 3,4 bilhões entre 2016 e 2025, valores que agora são objeto de investigação para verificar a legalidade das cobranças.
De acordo com o inquérito, informações falsas teriam sido inseridas em sistemas informatizados para permitir a realização dos descontos diretamente nos benefícios previdenciários, sem o consentimento dos aposentados e pensionistas. Além de Aristides Veras, outros ex-dirigentes da Contag e ex-integrantes da alta administração do INSS também foram indiciados.
O caso possui evidente repercussão política porque Aristides Veras é irmão do deputado federal Carlos Veras (PT-PE), uma das principais lideranças do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco. Até o momento, Carlos Veras não é investigado nem foi indiciado neste inquérito, não havendo acusação formal contra o parlamentar.
A Contag mantém, há décadas, uma relação institucional com diferentes governos federais, especialmente por representar trabalhadores da agricultura familiar e do meio rural. Durante os governos do PT, a entidade participou de debates e políticas públicas voltadas ao setor agrícola e manteve interlocução frequente com integrantes do governo federal, assim como ocorre com diversas entidades representativas da sociedade civil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é investigado neste inquérito, nem há acusação formal contra ele relacionada aos fatos apurados. No entanto, o avanço das investigações amplia o desgaste político em torno de pessoas e entidades que mantiveram proximidade com o governo e com setores historicamente ligados ao partido.
A defesa de Aristides Veras nega qualquer irregularidade e afirma que apresentará seus esclarecimentos no curso do processo. O relatório da Polícia Federal será agora analisado pelo Ministério Público Federal, que decidirá se oferece denúncia à Justiça ou se solicitará novas diligências antes de uma eventual ação penal.
O caso reforça a dimensão do escândalo investigado na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos associativos indevidos sobre benefícios previdenciários e que atingiu milhões de aposentados e pensionistas em todo o país.
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