
Não fazem barulho com megafone nem marcham em fileiras pelas ruas. Mas a Geração Z, nascida entre 1997 e 2012, está mudando o mundo silenciosa, mas firmemente de dentro para fora. Já não são os estagiários com mochilas coloridas e sonhos difusos. Estão aí, nas mesas de decisões, nos times criativos, nas reuniões híbridas e, principalmente, nos dilemas das corporações.
Com os mais velhos beirando os 30 anos, eles já representam, segundo projeções da Zurich Insurance e do Fórum Econômico Mundial, cerca de 27% da força de trabalho global em 2025. Nos Estados Unidos, ultrapassaram os Baby Boomers aqueles nascidos entre 1940 e 1960 e que viram a chegada da televisão e a queda do Muro de Berlim. Agora, são os jovens do TikTok que determinam, cada vez mais, as novas regras do jogo corporativo.
Mas eles não querem apenas um emprego. Querem propósito. Segundo a Forbes USA, 86% dos GenZs só se sentem realizados se sentirem que seu trabalho tem um “porquê”. E 44% deles rejeitariam propostas que não se alinham aos seus princípios éticos. Um recado direto: ou a empresa tem alma, ou eles não ficam.
Não é uma birra. É uma reconfiguração de prioridades. A pesquisa da Deloitte de 2023 revela que quase metade deles sairia da empresa em dois anos se não visse propósito ou equilíbrio entre vida e trabalho. Flexibilidade? Um mantra. O modelo híbrido, uma exigência. Não se trata de comodismo, mas de saúde mental. Eles estão cansados, endividados, pressionados. Quarenta por cento relatam estresse constante. Só metade avalia sua saúde mental como boa. Mesmo assim, seguem cobrando ética, justiça, coerência. E, se necessário, entregam o crachá mesmo sem ter outro em mãos.
É claro, isso desafia os padrões antigos. Frustra gestores que esperavam lealdade em troca de um plano de carreira e uma cesta de benefícios. Mas a GenZ não quer estabilidade sem sentido. Quer significado.
E talvez isso nos obrigue a repensar o que realmente é estabilidade.
O mercado sente o impacto: o modelo híbrido, que parecia um luxo para poucos, hoje já é adotado por mais de 50% da Geração X e 45% dos Boomers. Não por acaso. A geração mais nova acendeu a luz de alerta e mostrou que o escritório de nove às cinco, engessado e indiferente, não cabe mais em 2025.
Mais do que um comportamento, a Geração Z impõe uma nova ética. Pressiona empresas a adotarem códigos claros, políticas de bem-estar, posturas sustentáveis e relações horizontais. Mas essa transformação não cabe apenas no crachá ou no organograma. O Estado também precisa se reinventar. A legislação trabalhista, os modelos de previdência, as políticas públicas, tudo deve acompanhar o passo rápido (e questionador) dessa geração que não aceita mais trabalhar no automático.
O nome disso? Revolução silenciosa.
E ela já começou.
Texto de referência: https://forbes.com.br/carreira/2025/04/mais-proposito-menos-paciencia-o-que-a-geracao-z-quer-do-trabalho/. Acesso em 01 de julho de 2025.
Marcelo Martins Eulálio é advogado, professor universitário e Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Piauí.
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