
A boxeadora argelina Imane Khelif, vencedora do ouro na categoria feminina de boxe nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, foi diagnosticada com uma condição genética que a coloca no centro de um debate global sobre critérios de gênero nas competições esportivas. Segundo relatório médico divulgado pelo site Reduxx, exames revelaram que Khelif possui cromossomos XY, testículos internos e um micropênis. A condição genética conhecida como deficiência de 5-alfa redutase, que afeta o desenvolvimento sexual, levou os médicos a recomendarem terapia hormonal e uma possível cirurgia de adequação.
O relatório foi assinado por endocrinologistas dos hospitais Kremlin-Bicêtre, em Paris, e Mohamed Lamine Debaghine, na Argélia, e destaca o impacto neuropsiquiátrico significativo da situação de Khelif, recomendando apoio psicológico. Diagnósticos como o de Khelif geralmente envolvem designação feminina ao nascimento, mas a masculinização se acentua na puberdade. Em março, Khelif já havia sido desqualificada pela Associação Internacional de Boxe devido a questões genéticas, o que suscitou avaliações médicas que agora confirmam as particularidades de seu caso.
A revelação reabre o debate sobre a justiça em competições femininas quando há diferenças genéticas significativas. Críticos argumentam que criar uma categoria específica para atletas trans ou com condições genéticas que afetam o desenvolvimento sexual pode ser uma solução para respeitar tanto a inclusão quanto a justiça esportiva. Outros, como o técnico de Khelif, Georges Cazorla, defendem sua participação nas categorias femininas, questionando se a exclusão é realmente justa ou discriminatória.
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