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Esportes LUTO NO BOXE

Morre Maguila, o gigante do boxe brasileiro, aos 66 anos

Ícone do peso-pesado, lutava contra a demência pugilística e marcou gerações com carisma e nocautes fulminantes

24/10/2024 às 15h57
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Adilson “Maguila” Rodrigues, o maior boxeador peso-pesado da história do Brasil e um dos principais da América do Sul, faleceu nesta quinta-feira (24) aos 66 anos. Maguila, como era conhecido, enfrentava há mais de uma década a encefalopatia traumática crônica, também chamada de demência pugilística, diagnosticada em 2013. Nos últimos anos, ele tentava controlar os sintomas da doença com o uso de canabidiol.

Apesar de não ter conquistado os principais cinturões mundiais, Maguila deixou sua marca no boxe ao vencer o título da Federação Mundial de Boxe, ainda que considerado de menor relevância. Seu carisma, no entanto, o diferenciava, tornando-o um ídolo popular. Durante suas vitórias, ele não perdia a oportunidade de mandar abraços para conhecidos, desde o açougueiro até o vendedor da concessionária onde comprava seus carros, o que frequentemente resultava em interrupções por parte dos repórteres.

Sua personalidade dividia opiniões: enquanto alguns o viam como uma figura simples e autêntica, outros acreditavam que Maguila possuía uma inteligência afiada para o marketing pessoal. Sidney Ubeda Gomes, um de seus primeiros treinadores, relembra que ele costumava “ler” revistas de cabeça para baixo de propósito, apenas para atrair atenção. O boxeador também admitia que escapou do serviço militar fingindo-se de louco, uma de suas inúmeras histórias que reforçam sua imagem irreverente.

Nascido em Sergipe, Maguila chegou a São Paulo, onde foi incentivado a tentar a carreira no boxe devido ao seu porte físico. Após algumas rejeições, ele foi aceito na academia BCN, comandada por Ralf Zumbano, tio do campeão Eder Jofre. Sua carreira profissional começou em 1983, e logo ele se destacou, conquistando os títulos brasileiro e sul-americano em suas primeiras lutas. Porém, em 1985, sofreu duas derrotas por nocaute que abalaram momentaneamente sua ascensão.

Com a orientação do técnico Miguel de Oliveira, Maguila aprimorou sua técnica e recuperou-se dos tropeços, vencendo seus adversários anteriores. Sua equipe, liderada pelo narrador Luciano do Valle, traçou um ambicioso plano: fazer de Maguila o “Mike Tyson brasileiro”. O boxeador chegou a enfrentar adversários de peso, como James “Quebra-Ossos” Smith, e foi ranqueado entre os melhores do mundo, mas nunca alcançou o cinturão máximo.

O auge da sua carreira internacional veio em 1989, quando enfrentou o americano Evander Holyfield, então número um do ranking. Após um início promissor, Maguila foi nocauteado violentamente no segundo assalto, o que marcou o início do declínio de sua carreira. No ano seguinte, ele enfrentou George Foreman, sofrendo outro nocaute que praticamente encerrou suas chances de disputar um título mundial de relevância.

Após se aposentar em 2000, Maguila continuou ativo, participando de programas de TV, comerciais e até assumindo o cargo de secretário de Esportes de Itaquaquecetuba, em São Paulo. Seu legado inclui 77 vitórias em 85 lutas, com impressionantes 61 nocautes, e uma carreira marcada por carisma, superação e uma presença inegável dentro e fora dos ringues.

 

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