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Política RENOVAÇÃO POLÍTICA

Da feira à política: Raimundo Sousa aposta na experiência para chegar à Assembleia

Contador e empresário, candidato do Progressistas transforma trajetória de superação e conhecimento da realidade municipal em discurso de renovação política, com a PI-216 entre as principais bandeiras.

27/09/2026 às 11h50
Por: Douglas Ferreira
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Raimundo Sousa defende uma política limpa e honesta - Foto: Reprodução
Raimundo Sousa defende uma política limpa e honesta - Foto: Reprodução

Entre as novas lideranças que disputam espaço na política piauiense está o jovem contador e empresário Raimundo Nonato Oliveira Sousa, natural de Pedro II. Aos 42 anos, ele chega à eleição de 2026 como candidato a deputado estadual pelo Progressistas, com o número 11123. 

Antes de entrar na disputa eleitoral, porém, Raimundo Sousa construiu uma trajetória profissional que começou muito distante dos gabinetes e dos palácios de governo. Ainda criança, migrou com a família para São Paulo em busca de oportunidades. Na pré-adolescência, retornou a Pedro II e passou a trabalhar para ajudar no sustento familiar.

Foi na feira que começou a construir sua história. “Comecei a trabalhar aos 14 anos vendendo feijão na feira”, lembra. O comércio de feijão deu lugar à venda de calçados e, posteriormente, de confecções. Uma trajetória que, segundo o candidato, ensinou desde cedo a lidar com trabalho, dificuldades e a necessidade de conquistar resultados com esforço próprio.

Mas Raimundo não se limitou ao comércio. Com a chegada da informática, enxergou naquele novo mundo uma oportunidade. Fez um curso básico em Pedro II, apaixonou-se pela área e, pouco tempo depois, montou sua própria escola de informática.

A busca por estabilidade o levou posteriormente ao serviço público por meio de concurso. Foi nesse caminho que surgiu uma segunda vocação: a contabilidade. A formação superior na área ampliou sua atuação profissional e o aproximou ainda mais da realidade administrativa dos municípios.

Hoje, segundo sua própria trajetória profissional, Raimundo atua na contabilidade de oito prefeituras municipais. É justamente essa experiência que ele apresenta como um dos fundamentos de sua entrada na política: conhecer, por dentro, parte dos desafios enfrentados pelas administrações municipais e pelas populações do interior.

Essa vivência também está no centro de sua proposta eleitoral. Ao disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa, Raimundo Sousa afirma que pretende transformar a experiência acumulada em atuação parlamentar voltada principalmente para os municípios que conhece de perto.

Um dos exemplos mais recorrentes em seu discurso é Domingos Mourão, sua terra natal, município com o qual mantém relação profissional e onde aponta uma antiga reivindicação da população: a construção da PI-216, ligação rodoviária com Pedro II.

A estrada tornou-se, para o candidato, uma espécie de símbolo do que considera um problema recorrente da política: promessas que atravessam eleições sem que a população veja a obra sair do papel.

Raimundo Sousa lembra que Domingos Mourão foi emancipado no início dos anos 60 e observa: “Domingos Mourão se emancipou em 29 de dezembro de 1962. Vai fazer agora 64 anos, e desde então o povo sonha com essa estrada”.

A crítica é direcionada à utilização eleitoral de uma reivindicação que, segundo ele, atravessa gerações. Para Raimundo, a PI-216 não deveria aparecer apenas como promessa de campanha, mas como uma obra que precisa ser acompanhada, cobrada e fiscalizada.

Nesse ponto, o candidato procura estabelecer uma diferença entre prometer e assumir compromisso. “Um deputado estadual, sozinho, não constrói uma estrada. Não assina uma obra, não libera um recurso e não executa um projeto”, reconhece.

A partir daí, apresenta o que considera o papel de um parlamentar: “Mas um deputado pode cobrar. Pode fiscalizar. Pode denunciar. Pode mobilizar. Pode levar a reivindicação do povo para dentro da Assembleia e não permitir que ela seja esquecida”.

A proposta, portanto, não é atribuir ao deputado poderes que constitucionalmente não lhe pertencem, mas utilizar o mandato como instrumento de cobrança e fiscalização. É nessa perspectiva que Raimundo afirma: “Se chegar à Assembleia Legislativa, não vou descansar enquanto a PI-216 não avançar”.

Ele promete acompanhar os projetos, fiscalizar recursos e cobrar dos responsáveis pela execução da obra. E faz questão de estabelecer uma ressalva: “Isso não é uma promessa de que eu, sozinho, farei uma obra que não está sob minha responsabilidade. É um compromisso de luta”.

A PI-216 aparece, assim, como uma das principais bandeiras apresentadas pelo candidato, mas o discurso procura ir além da estrada. Raimundo associa a infraestrutura à vida cotidiana das comunidades, destacando a importância do acesso ao trabalho, à educação, à saúde, ao comércio e ao escoamento da produção.

Sua defesa é de que a política precisa abandonar a lógica da promessa fácil e assumir uma postura mais responsável diante do eleitor. “Porque política séria não é prometer o impossível”, afirma.

Na visão apresentada pelo candidato, o parlamentar deve reconhecer os limites do próprio cargo, mas não usar esses limites como justificativa para a omissão. “É dizer a verdade, reconhecer os próprios limites e, dentro das responsabilidades de um mandato, fazer tudo o que estiver ao alcance para transformar uma reivindicação legítima em realidade”, sustenta.

A candidatura de Raimundo Sousa, portanto, procura se apresentar a partir de três elementos: uma trajetória pessoal marcada pelo trabalho desde cedo, uma experiência profissional ligada à administração municipal e uma proposta de atuação parlamentar baseada em cobrança, fiscalização e defesa de demandas regionais.

Ele resume essa disposição em uma frase: “Eu não quero chegar à Assembleia para fazer discursos bonitos e depois esquecer aquilo que prometi defender. Quero chegar para trabalhar, cobrar e fiscalizar”.

No caso específico da PI-216, sua posição é direta: “Não pode continuar sendo apenas uma promessa repetida a cada eleição. Precisa deixar de ser promessa e se transformar em obra”.

Ao transformar a própria história de vida em argumento político, Raimundo Sousa tenta ocupar o espaço de uma nova liderança regional, levando para a disputa eleitoral uma narrativa que começa na feira de Pedro II, passa pelo empreendedorismo, pela informática, pelo serviço público e pela contabilidade e chega agora à política partidária.

No centro dessa trajetória está a ideia de que experiência profissional e conhecimento da realidade municipal podem ser convertidos em atuação política. A resposta definitiva, porém, como ocorre em toda eleição, caberá ao eleitor nas urnas.

“Porque, na política, compromisso vale mais do que promessa. E a verdade vale mais do que qualquer discurso”, conclui Raimundo Sousa.

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